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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Após um período de grave crise, a engenharia portuguesa está a viver "uma nova fase de recuperação" que tem por base a crescente afirmação internacional do nosso país enquanto "espaço atrauvo e competitivo na área da engenharia". "Estamos perante uma oportunidade histórica para a engenharia portuguesa e para a sua internacionalização", afirma Ilídio Serôdio, presidente da Direção da Proforum - Associação para o Desenvolvimento da Engenharia.

"A engenharia em Portugal está a viver uma fase de recuperação que acreditamos poderá dar origem a um novo ciclo de expansão sustentado", começa por dizer à "Vida Económica" Ilídio Serôdio. Segundo o presidente da direção da Proforum há três razões que suportam esta afirmação e que poderão "criar uma oportunidade histórica para a engenharia portuguesa e para a sua internacionalização" .


Primeiro, o "mundo vive uma revolução tecnológica alicerçada na digitalização dos processos produtivos que coloca a engenharia no centro da mudança e que, certamente, vai também contribuir para a valorização da economia nacional". Em segundo lugar, o "nosso país está a afirmar-se internacionalmente como um espaço atrativo e competitivo na área da engenharia, atraindo centros de competências de multinacionais e investimento estrangeiro para fazer engenharia para o mundo". E por último, "Portugal tem tradição e engenharia de qualidade. O país dispõe de empresas, engenheiros, escolas de engenharia e competências para aproveitar as novas oportunidades tecnológicas na globalização e reafirmar-se no mundo", explica o responsável.


Ilídio Serôdio admite ainda que a crise "desvalorizou a engenharia nacional e o trabalho dos engenheiros e originou uma destruição de competência e de capital humano" e defende que "importa inverter rapidamente'' esta situação, "para manter a qualificação do país, das empresas sobreviventes e dos nossos técnicos altamente especializados". Na verdade, acrescenta, "já há em alguns setores um movimento de retorno de engenheiros ao país".


Talvez por isso, a internacionalização da construção "foi um sucesso no período da crise, em que algumas empresas com grande visão estratégica, conseguiram expandir o seu volume de negócios no exterior para compensar as quebras internas". Mas convém "explicitar que este sucesso só foi alcançado nas empresas que tinham definido e concretizado estratégias de internacionalização nos anos que antecederam a crise", afirma o presidente da direção da Proforum.


Nesse sentido, para este responsável, a internacionalização "nunca pode ser encarada como uma inevitabilidade, mas sempre como uma escolha estratégica", pois é "sempre uma opção de risco, com elevados custos financeiros e, nesse sentido, não é possível pensar que as empresas podem por "milagre" substituir as obras internas por obras internacionais. Iniciar processos de internacionalização em contexto de crise é uma forma de acelerar as dificuldades financeiras e de 'ir morrer longe"'. E relembra que infelizmente a internacionalização "não foi uma solução milagrosa e que algumas grandes empresas com tradição e uma parte significativa do tecido empresarial da construção desapareceu com a grande crise interna do setor no período de 2002-2015".


Engenharia nacional representa ainda menos de 10% do PIB
Ilídio Serôdio ressalva também que a engenharia é um "'iceberg na economia e os serviços de engenharia, a componente individualizada pelas estatísticas, é apenas a ponta visível do mesmo". Nesse sentido, o contributo da engenharia nacional e o seu processo de internacionalização deve ser "encarado e potenciado de forma holística", incorporando o seu contributo direto e indireto para a economia nacional. Importa reconhecer que, por exemplo, nas "exportações de máquinas, automóveis, pasta de papel, calçado há cada vez mais uma forte componente de engenharia e que a qualidade da engenharia nacional faz a diferença no sucesso externo".


Perante este cenário, o reforço da internacionalização da engenharia vai muito para além da simples prestação de serviços da engenharia que, apesar do forte crescimento das vendas no exterior realizado nos últimos anos, continuam a representar menos de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e das exportações. Para "aumentar o valor acrescentado das exportações portuguesas, é necessária uma estratégia nacional e transversal para "acrescentar engenharia, competências e inovação nos diferentes produtos e setores de atividade", reforça o presidente da direção da Proforum.

A engenharia é o futuro do aumento da riqueza do país
Importa por isso, "ultrapassar a lógica da exportação do produto e do setor de atividade e pensar a internacionalização da engenharia portuguesa como recurso estratégico a ser explorado de forma integrada para melhorar o papel de Portugal na globalização, e no processo produtivo. A engenharia é o futuro do aumento do valor acrescentado nas exportações portuguesas". Neste contexto, e no âmbito da recente conferência organizada pela Proforum, dedicada à "Internacionalização
da Engenharia Portuguesa", tenham sido identificadas, por um lado, um conjunto de novas oportunidades para explorar o potencial da engenharia na valorização das exportações portuguesas e, por outro, o potencial de atrair empresas internacionais, multinacionais e empresas inovadoras, para fazerem engenharia em Portugal, para o mundo.
A Proforum acredita que, em conjunto com a AICEP, a Ordem dos Engenheiros, e outras organizações será possível transformar algumas dessas oportunidades em realidade. "Pensamos que é possível propor no princípio de 2019 uma nova estratégia nacional de internacionalização da economia portuguesa, com base no valor acrescentado da engenharia portuguesa, envolvendo as empresas, os profissionais e as entidades públicas, na contribuição para a valorização das exportações nacionais e que correspondam a um forte consenso e denominador comum", finaliza o responsável.

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