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CABEÇALHO

Ministro das Finanças diz que não se pode responder "com pânico" a crises e é preciso usar o "factor paciência".

À hora a que falava aos jovens, em Monsaraz, Mário Centeno tinha na "manga" várias notícias animadoras. Elisa Ferreira havia sido indigitada comissária europeia, saía mais uma execução orçamental que mostrava uma melhoria do défice público e havia ainda ecos do editorial do Financial Times que descrevia Portugal como o país que traz "alguma esperança para a Europa". Tudo argumentos para que o ministro das Finanças cimentasse a sua tese de que as finanças portuguesas estão melhor. Por isso, não é preciso "haver pânico" em relação a uma crise, até porque "não vamos observar nos próximos tempos uma crise com a dimensão e características" da última, assumiu.

Em conversa com os jovens do SummerCEmp, uma iniciativa da Representação Portuguesa da Comissão Europeia em Portugal, Centeno defendeu que é preciso ter calma e recusou entrar em "leilões de ideias" - muitas das quais até já "foram testadas e já falharam". "O factor paciência" é fundamental, apesar de o mundo actual sofrer um grande desgaste, disse.

A sua atitude é contrária a esta, garantiu, mostrando-se optimista em relação à possibilidade de uma recessão desembocar numa crise como a vivida após 2008. "Estamos dotados de instrumentos que não tínhamos. Diria que temos de olhar as crises económicas preparando-nos" para elas sem entrar em pânico.


O optimismo do ministro das Finanças baseia-se em três factores que atravessam as finanças públicas, mas também a situação das famílias e das empresas. Primeiro, em relação às contas públicas, acredita que, tendo em conta o cenário macroeconómico, é possível ultrapassar uma crise sem ter de recorrer à austeridade punitiva: "A nossa posição orçamental, finalmente, atingiu o equilíbrio. Temos défice público praticamente nulo e isso dá-nos a margem de deixar efeitos automáticos ao saldo orçamental sem ter de fazer medidas punitivas num momento de recessão". Ao mesmo tempo que o também presidente do Eurogrupo falava em Monsaraz saía a nota do seu ministério sobre a execução orçamental de Julho, dando conta de uma melhoria do défice público.


Como segundo argumento, Centeno referiu que os "indicadores de solvabilidade estão melhor do que os de 2008". "Apesar da dívida elevada, esta tem vindo a reduzir-se de forma significativa. Está na tendência certa. Há tempo suficiente para considerarmos que é uma tendência de sustentabilidade", referiu.


Em terceiro lugar, Centeno referiu- se à situação de evolução económica. "Portugal está num contexto totalmente alinhado com o ciclo económico europeu. Convergimos com a União Europeia, não há complacências, este trabalho é para continuar", defendeu. Ou seja, para fazer face a uma recessão, é preciso continuar o caminho e não embarcar em leilões - de ideias, leia-se. Na mesma conversa com os jovens, o ministro deixou no ar o entendimento de que não é favorável a uma concorrência fiscal sem regras entre os Estados da União Europeia, defendendo um equilíbrio entre a liberdade dos países e a identidade da União: "Não podemos ser dogmáticos na ditadura da União face às decisões fiscais dos países", concluiu Mário Centeno.

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