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CABEÇALHO

A BDO comprou 60% da P2P e passa a ter escritório em Braga. A multinacional quer estar mais perto da indústria.

A P2P, especializada em consultoria financeira e gestão, entrou no radar da BDO, quinta maior do mundo no ranking do sector da consultoria e auditoria, agora à procura de oportunidades para expandir a sua atividade em Portugal. As partes não divulgam o valor do negócio, mas a multinacional passa a ter uma participação de 60% na pequena empresa bracarense.

 

“Nós temos uma equipa de 10 pessoas. A BDO só em Portugal tem 200 e a nível global chega aos 80 mil colaboradores”, comenta Paulo Moura Castro, que vai manter o controlo de 40% da P2P, fundada há 15 anos, e passa a repartir responsabilidades administrativas com Fontão de Carvalho, sénior partner da BDO.

 

Há outras formas de mostrar como as duas empresas são diferentes: Uma fatura 600 mil euros, a outra já atingiu os 8 mil milhões de euros, 10 milhões dos quais no país. Uma tem apenas um escritório em Braga, a outra tem 1.600 escritórios distribuídos por 160 países, entre os quais Portugal, onde marca presença em Lisboa, Porto, Faro e Funchal.

 

“Mas também há complementaridades”, como coincidem em sublinhar Paulo Moura Castro e José Soares Barroso, diretor-executivo da BDO que assim coloca mais uma bandeira no mapa mundo da sua empresa, em Braga.

 

Do lado da oferta, a P2P, com serviços de consultoria financeira e controlo de gestão, também trabalha data analytics e na área de apoio a empresas na submissão de projetos de investimento a incentivos financeiros e fiscais “ainda incipiente na BDO”, enquanto a multinacional tem o segmento da auditoria e consultoria fiscal que não entrava, até agora, no portfólio da empresa bracarense.

 

Mas as estratégias de crescimento também encaixam. A P2P, com uma base de operação muito centrada em Braga, pode alargar o seu campo de atuação e chegar a clientes que ficavam fora do seu alcance por terem contas que exigem uma multinacional.

 

“O nosso projeto estava curto. Queríamos entrar noutro tipo de clientes e prestar um serviço mais integrado aos nossos clientes”, refere Paulo Moura Castro.

 

Já a BDO avança no sentido da aproximação a Braga e ao mercado da região norte, onde tem “uma penetração fraca” e há uma base industrial forte, como admite José Soares Barroso, antecipando a possibilidade de “uma fusão, com integração completa da P2P no futuro”.

 

“Temos ambições de crescimento e andamos à procura de empresas bem organizadas, limpas, com boa gestão, em zonas onde a nossa penetração é menor, como é o caso de Braga”, adianta o diretor-executivo da BDO.

 

A justificar estas aquisições, para além do crescimento orgânico da empresa que em 2018 viu o seu volume de negócios em Portugal subir 7%, Soares Barroso defende que “é mais fácil começar de novo numa região com uma equipa que já conhece o mercado local e garante uma base de clientes logo à partida”.

 

Aveiro e Leiria no radar


Quanto a locais para novas aquisições no futuro, refere que um dos alvos aponta para “regiões onde existem muitas PME, como Leiria ou o eixo Águeda - Aveiro. Aliás, a entrada da BDO na Madeira, há 20 anos atrás, foi feita através da aquisição de uma empresa local.

 

A atuar em Portugal desde 1981, a BDO optou por privilegiar esta estratégia de crescimento no país por considerar “importante ter uma lógica de proximidade ao cliente e criar uma relação mais direta entre os partners e os clientes”, acrescenta.

 

Neste caso, o cruzamento entre a multinacional e a P2P foi feito através de um amigo comum que deu conta ao empresário bracarense “do interesse estratégico da BDO em criar uma base de atuação mais alargada no país”. E Paulo Moura Castro agarrou a ideia por considerar que “o projeto da empresa começava a ficar curto” e ver na BDO “um aliado de peso”, logo abaixo das big four mundiais, a expressão usada para designar o grupo constituído pela Deloitte, Ernst & Young, KPMG e PricewaterhouseCoopers, as quatro maiores empresas do sector.

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