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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O governo português espera “impacto negativo a médio e longo prazo” do 'Brexit', ainda que se espere que continue a ser um mercado importante para as exportações portuguesas.

As empresas portuguesas devem olhar para a diversificação de mercados como contingência para o impacto da saída do Reino Unido da União Europeia (UE), afirmou esta quinta-feira o presidente da AICEP, Luís Castro Henriques.
 

O governo português espera "impacto negativo a médio e longo prazo" do 'Brexit', ainda que se espere que continue a ser um mercado importante para as exportações portuguesas.

 

"O que nós queremos é que as empresas possam acautelar isso, ganhando espaço em novos mercados ou ganhando quota noutros mercados", afirmou hoje à agência Lusa em Londres, onde chegou hoje para uma visita de dois dias com um programa de reuniões com atuais e potenciais investidores.

 

A AICEP, em coordenação com outras entidades como a Autoridade Tributária, tem estado a fazer seminários pelo país com empresas para debater os vários cenários para o processo e as possíveis consequências para os seus negócios.

 

O Reino Unido tinha previsto sair da UE em 29 de março, mas o acordo de saída negociado pelo Governo da primeira-ministra, Theresa May, com a UE foi chumbado três vezes pelo parlamento britânico, que também se opôs a uma saída sem acordo, resultando num prolongamento do processo até 31 de outubro.

 

Entretanto, a demissão de Theresa May da liderança do partido Conservador desencadeou uma eleição interna, cujo vencedor será o próximo primeiro-ministro.

 

Os dois candidatos, Boris Johnson e Jeremy Hunt, têm feito campanha pela saída no fim do prazo, mesmo sem acordo.

"A mensagem primordial é que é fundamental que se pondere bem a diversificação de mercado. Quanto menos sabemos o que é o futuro, mais nos temos de preparar para outros cenários", vincou hoje Luis Castro Henriques.

 

Mercados como o Canadá, Coreia do Sul ou Japão, com os quais a UE concluiu recentemente acordos de comércio, ou ainda o Mercosul, que ainda não está formalizado, podem ser alternativas.

 

O presidente da AICEP afirma que há empresas grandes e pequenas a trabalhar nesta diversificação e que uma visita recente ao Canadá com empresários do vestuário e calçado já resultaram em clientes e transações.

 

Porém, também admitiu que "algumas empresas sentem maior dificuldade em ter outros mercados com um padrão de consumo tão bom como no Reino Unido".

 

O Reino Unido é o quarto maior mercado para as exportações portuguesas de bens, com destaque para os setores das máquinas e componentes automóveis, e o primeiro mercado de exportações de serviços, sobretudo na forma do turismo dos britânicos em Portugal.

 

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), as exportações portuguesas atingiram os 3.673,4 milhões de euros em 2018 enquanto as importações do Reino Unido registaram um valor de 1.901,4 milhões de euros.

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