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CABEÇALHO

Devido à pandemia, o setor do turismo residencial poderá perder 1,2 milhões de euros por dia de volume de negócios entre abril e fim de dezembro, estima a Associação Portuguesa de Resorts.

Pelo menos 330 milhões de euros é a fatura a pagar pelo setor de Turismo Residencial devido ao impacto da pandemia provocada pelo novo coronavírus (Covid-19). A estimativa foi adiantada ao Expresso por Pedro Fontaínhas, diretor-executivo da Associação Portuguesa de Resorts (APR) que representa 35 resorts de norte a sul do país.

 

Perante esta situação, o responsável defende também uma melhor definição e rápida aplicação das medidas de ajuda para o setor.

 

“Depois de um volume de negócios da ordem dos 650 milhões de euros em 2019, prevemos que até ao final deste ano as receitas caiam mais de metade para cerca de 320 milhões de euros”, diz Pedro Fontaínhas. As estimativas têm por base um um inquérito feito junto dos associados esta segunda-feira e atestam o “sério desafio” que se coloca a esta atividade.

 

O diretor-executivo da APR salienta que o cenário é muito semelhante ao traçado pela Neoturis para o conjunto do setor de hotelaria, aldeamentos e turismo residencial.

 

Na prática, o setor dos resorts de 1 de abril até 31 de dezembro arrisca-se a perder 36 milhões de euros por mês ou 1,2 milhões de euros por dia.Isto num cenário que pressupõe que o pico do surto será atingido em meados de abril, e que a situação estará controlada no início de junho e que nessa altura as restrições ao tráfego aéreo irão terminar no espaço europeu, norte-americano e asiático.

 

“São previsões otimistas, pois tomam por base um pico da pandemia em abril, que não está garantido”, salientou. Mesmo isso que aconteça, vai demorar algum tempo a recuperar a confiança e a voltar à normalidade. “E não basta só em Portugal, pois é preciso que os nossos mercados emissores estejam também a recuperar, e dependemos muito do mercado britânico”, acrescentou.

 

MEDIDAS RÁPIDAS PRECISAM-SE

 

Neste momento, assiste-se a uma quebra total das visitas presenciais e a uma grande dificuldade de fechar Contratos de Promessa de Compra e Venda (CPCV). “ O que vai gerar uma grande impacto a curto prazo na tesouraria das empresas”, acrescentou.

 

Face ao cenário que as empresas começam a enfrentar, Pedro Fontaínhas defende uma intervenção “mais musculada” por parte do Estado. “Não queremos que nos deem dinheiro, mas que se criem apoios mais adequados à realidade e isenções de impostos ”, afirmou. Para o diretor-executivo da APR, seria desejável a criação de um mecanismo que pudesse por os trabalhadores em lay-off imediatamente, a receber subsidio, até que as empresas estejam em condições de os readmitir. “O atual sistema de lay-off simplificado prevê uma quebra de 40% na faturação nos dois meses anterior. Ora janeiro e fevereiro deste ano foram particularmente bons, o que significa que só em maio é que se pode recorrer ao lay-off”, explica. “Devemos examinar a realidade dia a dia, semana a semana, não em meses ou trimestres: as receitas podem caíram em vertical na maioria dos casos em 100%”, salienta

 

Quanto às linhas de crédito anunciadas pelo Governo, Fontaínhas lembra que aumentar o endividamento de empresas que começaram a deixar de ter receitas e que não sabem quando as vão ter, poderá comprometer a sua recuperação. “Em alternativa, poderiam ser isentadas do pagamento de IMT e de IMI por seis meses ou um ano”, propôe.

 

Mas, apesar do cenário de crise que avizinha, o responsável diz que não estão previstos despedimentos a curto prazo por parte dos associados. “A maior prioridade e o maior esforço são a manutenção dos postos de trabalho, das estruturas, dos potenciais clientes e dos parceiros de negócio para que uma resposta imediata possa ser dada a qualquer indício de recuperação”, salienta. “Neste momento não faz qualquer sentido falar de despedimentos, para voltar a contratar dentro de dois meses”, acrescentou.

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