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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

É pertinente criar um quadro legal e fiscal mais favorável à gestão das incubadoras. Maior capacidade económica e massa crítica nas ‘startups’ significa maiores ganhos para o país.

Dados de 2017 referentes à Rede Nacional de Incubadoras indicam que 80,43% das startups sobrevivem após 12 meses de incubação e 67,76% mantém-se em atividade após dois anos no mercado. Estas percentagens reforçam a ideia de que os centros de incubação são fundamentais para o desenvolvimento de negócios early stage, uma vez que permitem às startups nascer num ambiente protegido. As incubadoras garantem não só espaços físicos ou virtuais para arranque da atividade empresarial como também equipamentos e serviços de apoio ao empreendedorismo (secretariado, material de escritório, comunicações, tecnologias digitais, formação especializada, consultoria, business plans, etc.).

 

Em 2017, a Rede Nacional de Incubadoras era composta por 3270 espaços de incubação física e virtual, onde 3005 novas empresas desenvolviam as suas atividades. Creio, por isso, que Portugal está bem servido de equipamentos de incubação. No entanto, há ainda margem para melhorar a qualidade e abrangência dos serviços prestados às empresas pelos centros que compõem a Rede Nacional de Incubadoras. O apoio destes centros é ainda muito direcionado para ideias de negócio e projetos semente, faltando soluções para acelerar o crescimento de empresas mais maduras.

 

Para as startups em estádios mais avançados, são necessários programas de aceleração que lhes permitam interagir com mentores e investidores, desenvolver processos de inovação, criar protótipos e testar produtos, colaborar com centros de I&D e integrar redes de networking. Importa, pois, que a Rede Nacional de Incubadoras tenha mais opções para empresas que queiram ganhar escala e criar valor acrescentado. Mas, para isso, há que elevar o grau de especialização dos serviços dos centros de incubação, o que exige mais investimento, mais capital humano, mais sofisticação tecnológica.

 

Neste sentido, parece-me pertinente criar um quadro legal e fiscal mais favorável à gestão das incubadoras. Se estas tiverem melhores condições para reforçar a sua capacidade económica e a sua massa crítica, estou certo de que o ecossistema português registará não só uma taxa de sobrevivência das startups ainda maior como um crescimento mais rápido e sustentado de empresas late stage. Ora isto traduzir-se-ia em ganhos para o país em termos de valor, inovação, emprego e exportações.

 

A estratégia nacional para o empreendedorismo, plasmada no programa StartUP Portugal, prevê importantes apoios à aceleração de empresas. Mas é preciso uma política integrada entre os vários parceiros públicos e privados do ecossistema, de modo a que a capacidade instalada no país ao nível da incubação seja cabalmente materializada na aceleração de empresas com potencial. Caso contrário, muitas startups não vão atingir os cinco anos de atividade…

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