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CABEÇALHO

O líder da comunidade ismaelita discursou na Assembleia da República, numa conferência incluída nas cerimónias de comemoração dos seus 60 anos de liderança espiritual, que decorrem por estes dias em Lisboa.

No seu discurso de ontem na Sala do Senado da Assembleia da República, Aga Khan considerou Portugal como "um país de oportunidade", que "fomenta as parcerias entre o governo e o setor privado" e "encoraja as organizações privadas estabelecidas para servir os objetivos públicos, o que normalmente designamos por instituição da sociedade civil".
Na conferência que faz parte das cerimónias de comemoração dos 60 anos de Aga Khan como líder espiritual da comunidade ismaelita, que decorrem por estes dias em Lisboa, o líder espiritual desta minoria muçulmana elogiou a "visão pluralista" de Portugal que "tem vindo a ser refletida em muitos momentos ao longo da história portuguesa e que tem sido expressada de uma forma poderosa na recente emergência deste país no palco global como influen- ciador".


"Apenas para mencionar alguns exemplos", Aga Khan destacou os "fortes papéis desempenhados pela liderança portuguesa" nas Nações Unidas, na UNESCO e, desde a semana passada, com a eleição de António Vitorino para diretor da Organização Internacional para as Migrações.


Perante uma sala cheia de individualidades - incluindo deputados, líderes dos grupos parlamentares, diplomatas, membros do exército, conselheiros de Estado como Adriano Moreira e Eduardo Lourenço e o antigo primeiro-minis- tro Pinto Balsemão -, Karim Aga Khan definiu Portugal como "o local ideal" para concluir as celebrações do aniversário do jubileu de diamante.
O príncipe afirmou ainda que os cerca de 40.000 fiéis que se juntam a estas celebrações em Lisboa terão também "a oportunidade para descobrir Portugal", juntando-se a "uma grande vaga de estrangeiros" que têm tornado o país num dos destinos turísticos que mais tem crescido a nível mundial.


Aga Khan disse que Portugal, o país que escolheu para instalar a sua fundação, tem mantido sempre uma cultura de descoberta, de "estender a mão, de conectar e empreender", desde a "grande era dos descobrimentos".


O líder dos ismaelitas destacou também que Portugal está posicionado entre os primeiros lugares no índice Global da Paz 2018, um relatório elaborado pelo Instituto para a Economia e a Paz, que avalia "fatores económicos, sociais e políticos que contribuem para as sociedades pacíficas". "Não foi surpresa para mim verificar que, entre as nações do mundo, Portugal está posicionado nos primeiros cinco", referiu Aga Khan, sendo aplaudido pelos presentes na sala.


"Foi com estes valores em mente que em 2015 assinámos um acordo histórico em Lisboa - para estabelecer aqui a nova sede do Imamat Ismail", justificou, agradecendo o "aval e confiança" e obtendo mais uma salva de palmas.


Recuando no tempo e tentando "traçar a história da ligação dos ismaílis a Portugal", Aga Khan recordou como momento marcante "a generosa abertura que Portuga] ofereceu, há quase meio século, a muitos ismaelitas que fugiam da guerra civil moçambicana".


Sobre o futuro, Aga Khan reconheceu que serão tempos "exigentes" e "de uma profunda alteração global". "O nosso mundo interligado poderá criar uma sensação crescente de suspeita, medo e talvez até de vertigem", o que pode levar a que se interpretem as diferenças "como ameaças em vez de oportunidades", afirmou.


Por isso, para Aga Khan é importante que Portugal e a comunidade ismaelita caminhem "juntos, unidos pelo nosso passado partilhado, comprometidos aos nossos valores partilhados e inspirados pela nossa esperança partilhada por um futuro construtivo e sólido". Foi com este pedido que Karim Aga Khan terminou o seu discurso, recebendo uma ovação de pé dos presentes.


"espírito humanista" A conferência contou ainda com uma intervenção do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, que descreveu Aga Khan como um "espírito humanista" e salientou o trabalho em várias frentes da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento (AKDN). Fernando Medina lembrou a intervenção em Moçambique e em Portugal, em que já ajudou perto de 100 mil crianças. O autarca sublinhou ainda programas de apoio que estabelecem parcerias com o Patriarcado de Lisboa, que mostram "o espírito ecuménico desta comunidade".

Eduardo Ferro Rodrigues abriu a sessão e elogiou o trabalho da fundação de Aga Khan no combate de problemas como a escassez de recursos naturais ou as migrações. "A sua vinda para Lisboa é a melhor ilustração de como nos queremos projetar na comunidade internacional como um país construtor de pontes, plural e dialogante", afirmou o presidente da Assembleia da República.


VISITA OFICIAL Em Portugal desde sexta-feira, o líder dos ismaelitas iniciou a sua visita oficial na segunda-feira, tendo sido recebido com honras de Estado por Marcelo Rebelo de Sousa, seguindo-se um encontro com António Costa. Na noite de segunda-feira participou num jantar em sua honra, oferecido pelo Presidente da República, no Palácio de Queluz.


Ontem, na Assembleia da República, Aga Khan inaugurou também uma exposição. Depois de almoçar com Ferro Rodrigues, o líder dos ismaelitas visitou o local do futuro "Ismaili Imamat, a sede mundial dos ismaelitas.


O programa oficial de Aga Khan tem o seu ponto alto religioso hoje, numa celebração com a comunidade, que tem lugar na FIL - Feira Internacional de Lisboa. O príncipe termina a visita a Portugal na quinta-feira, dia 12 de julho, depois de se encontrar com investigadores bolseiros da Fundação Aga Khan, no Centro Ismaili, em Lisboa.

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