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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Tem quintas e palacetes à venda por dezenas de milhões de euros e compradores não têm faltado

Já lhe chamam a quarta invasão francesa. São mais de 30 mil e vieram para ficar. Desta vez não só chegaram a Lisboa como até passaram o Tejo. “Há uma grande comunidade de franceses a viver em Setúbal. Compram casa a um terço do preço de Lisboa e vão divulgando o destino”, conta Miguel Poisson, CEO da imobiliária Sotheby’s em Portugal.

 

É dos euros franceses que depende boa parte dos recordes de faturação da imobiliária que só vende casas de luxo. A Sotheby’s espera crescer 20% em vendas neste ano e ultrapassar os 300 milhões de euros. Desde janeiro, já foram vendidas mais de cem casas de luxo, com um valor médio a rondar os 830 mil euros. Não é o caso da Quinta de São Sebastião, no Lumiar, em Lisboa. A antiga residência do rei D. João V nem sequer está no top 10 dos imóveis mais caros que a Sotheby’s Realty tem à venda no país, mas é “um dos mais especiais”, afirma Miguel Poisson. O palacete avaliado em 7,5 milhões de euros já tem interessados. E poderão ser franceses. “É um segredo em plena cidade de Lisboa, não restam muitos como este. Os franceses gostam de edifícios com história.”

 

A quinta que era do rei partilha o jardim e a piscina com um condomínio de 23 apartamentos, cujas obras estiveram embargadas nos piores anos da crise. Num mês foram vendidos seis por um preço médio de 900 mil euros. “Neste momento há mais procura do que oferta. Os vistos gold estão a recuperar e o regime de residentes não habituais tem atraído muita gente”, explica o responsável. Nem todos vêm de Paris. Os mais de 20 mil comerciais que a Sotheby’s tem em 70 países estão a fechar negócios em Portugal à velocidade de cruzeiro. As filiais do Brasil, Hong Kong e Índia não têm mãos a medir, revela Miguel Poisson. Mas há outra tendência, ainda discreta, que começa a ganhar balanço.

 

“O fluxo de turistas norte–americanos tem vindo a crescer muito e vai ser importante para a economia. Não tenho dúvidas de que a próxima grande onda de investimento em Portugal virá dos Estados Unidos, não só no imobiliário mas também nos negócios. Já percebemos o potencial que existe. A notoriedade que Portugal começa a ter lá é algo que não acontecia há dois anos. E isto não é um detalhe, vai ser mesmo importante”, sublinha. Do mesmo lado do oceano há outra remessa que tem passado menos despercebida, que já chegou ao mercado do luxo. “Temos vendido muito a venezuelanos, ou luso-descendentes. Principalmente no Funchal. Fizeram fortunas ou têm níveis de poupança muito elevados e estão a regressar e a investir fortemente em imóveis.”

 

Para o responsável da Sotheby’s, o mercado imobiliário em Portugal é hoje um trevo com quatro destacadas folhas: “Níveis de confiança elevados, entrada em massa de estrangeiros, acesso ao crédito facilitado e falta de investimentos rentáveis alternativos.” Para que a fórmula mágica traga resultados visíveis à economia falta um ingrediente: construção nova. “Estamos a fazer uma aposta forte em novos empreendimentos, que o mercado precisa muito. Há neste momento um delay entre a procura e a disponibilização de novos imóveis. Os bons empreendimentos estão a ser vendidos ainda em planta”, destaca Miguel Poisson.

 

É o caso do badalado Prata Living Concept, uma “cidade dentro da cidade” que está a nascer na zona do Braço de Prata, em Lisboa. Para já, só o Lote 8 está concluído. Dos 28 apartamentos, 22 já foram vendidos. Os cinco que restam custam mais de um milhão de euros. Para a mesma área estão projetados 12 edifícios, que terão no total 499 apartamentos e estarão prontos a habitar em 2027. Francisco Poisson não tem dúvidas de que o futuro de Lisboa passa por ali. “Lisboa só tem espaço para crescer entre o Parque das Nações e Santa Apolónia. Um dia essa parte da cidade estará toda ocupada e construída. Este novo empreendimento dá o tiro de partida.” Fora da capital, a Sotheby’s nota o crescente interesse de investidores institucionais na costa alentejana. “As zonas da Comporta e Melides estão a atrair compradores de vários países. Toda essa zona vai desenvolver-se muito.” O boom do imobiliário está a contribuir para a criação de emprego também na Sotheby’s, que pretende contratar 50 pessoas até ao final do ano.

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