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Em resultado da pandemia de covid-19, a Alemanha prepara-se para uma contração económica de 5%. Governo alemão viu a Comissão Europeia aprovar ajudas de estado que podem chegar a 1.000 milhões por empresa. E prepara-se para aumentar dívida pública.

A economia da Alemanha, vista como o motor da União Europeia, pode recuar 5% este ano, a maior contração do PIB do país em mais de uma década, depois da crise financeira.

As mais recentes estimativas do Governo alemão, citadas pela Bloomberg, apontam agora para uma contração de 5% da maior economia da União Europeia pelo impacto do novo coronavírus, quando anteriormente estimava um crescimento de 1,1%.

Esta estimativa consta do orçamento suplementar de cerca de 150 mil milhões de euros que o ministério das Finanças, tutelado por Olaf Scholz, deverá apresentar esta semana. O plano de despesa prevê uma redução da receita em 33,5 mil milhões de euros em receita e um aumento da despesa em 122,8 mil milhões de euros, devido sobretudo a medidas para apoiar as empresas (através de linhas de crédito) ou a apoios sociais para amortizar a perda de rendimentos dos trabalhadores alemães.

Até mil milhões de euros por empresa

 

A Comissão Europeia aprovou ontem as ajudas estatais do governo alemão às empresas afetadas pela pandemia de covid-19, que preveem empréstimos subsidiados que podem chegar aos mil milhões de euros por empresa, perante as necessidades de liquidez.

Disponibilizados pelo banco estatal alemão KfW, estes empréstimos são dirigidos a “empresas de todos os tamanhos”, têm um prazo de vencimento de até cinco anos e “podem chegar aos mil milhões de euros por empresa, dependendo das necessidades de liquidez da empresa”, refere o executivo comunitário.

Acresce um outro programa de empréstimos, também dirigido às empresas, no qual o banco público alemão KfW participa com outras instituições bancárias privadas para disponibilizar, em consórcio, “créditos de maior dimensão”.

Neste último caso, o Estado assume uma cobertura de até 80% dos riscos associados aos empréstimos, sendo que isso não deve equivaler a mais de 50% da dívida total de uma companhia.

Alemanha emite mais 356 mil milhões em dívida

 

O governo alemão deverá aprovar hoje um aumento de 356 mil milhões de euros no endividamento público para fazer face aos gastos com a pandemia, segundo a Bloomberg. Este montante equivale a 10% do PIB da maior economia europeia e vai colocar um ponto final na política seguida nos últimos anos por Angela Merkel de orçamentos equilibrados e défices zero.

Recorde-se que, pela primeira vez na história da Zona Euro, a Comissão Europeia acionou a cláusula de exclusão das regras de disciplina orçamental determinadas pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento, o que entre outras consequências implica que caia a obrigatoriedade de défices inferiores a 3% do PIB. Assim, a Alemanha, habitualmente muito ortodoxa em matéria de disciplina orçamental, mostra que as contas públicas são agora a menor das suas preocupações.

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