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CABEÇALHO

Um colete de motociclismo com tecnologia inteligente de aquecimento é o motor de aceleração da Pafil, uma empresa familiar de Barcelos que desfila no mundo do “smart clothing”. Cinco anos depois, o contrato com a BMW foi agora renovado por mais dois.

A história da Pafil Confeções começa nas mãos de uma modista de Barcelos e hoje já acelera no asfalto, colada aos motociclistas da BMW. O colete térmico, com cinco placas de aquecimento, é regulado pelo condutor e alimentado por uma ligação à própria moto.

 

O Heat Up "é o menino dos nossos olhos", assume João Rui Pereira, um dos três irmãos de Barcelos que hoje conduzem a empresa fundada pelos pais, ao falar do colete de motociclismo que produzem para a marca alemã.

 

A relação entre as duas empresas começou há cinco anos "através de um intermediário português, a têxtil DeDePro, que foi contactada pela BMW e se lembrou logo de nós". Depois de "muito teste-erro", a empresa chegou ao "teste-certo" e ofereceu à empresa alemã "um colete bonito, funcional e que responde exatamente ao que eles queriam".

 

O primeiro contrato, de 2014, com a duração de três anos, foi estendido para cinco, colocando as máquinas da Pafil a carburar para a produção de 15 mil peças. "Um verdadeiro caso de sucesso", garante João Rui Pereira, em entrevista ao Negócios.

 

Sem sinais de abrandamento, esta relação foi reforçada no início de 2019. "Recebemos a notícia de que a BMW queria estender o contrato por mais dois anos", congratula-se o CEO da portuguesa. Resultado: a produção de mais quatro mil peças e um contrato que sobe, no acumulado de sete anos, para quase um milhão de euros de receitas.

 

"Ter uma peça no mercado por sete anos é uma coisa única, quase inacreditável", orgulha-se João Rui Pereira.

 

Três anos para duplicar a faturação

 

Esta não é a primeira encomenda da empresa alemã. Durante os últimos três anos, a têxtil de Barcelos produziu, também, coletes para Golf Sport. E a Alemanha nem é o principal mercado da Pafil.

 

Com valores de exportação na ordem dos 99%, a empresa produz para a italiana Ermenegildo Zegna ou a sueca Satisfy, além dos mercados francês, britânico, espanhol, holandês e, recentemente, norte-americano.

 

Os dois milhões de euros de faturação em 2018 representam um crescimento de 10% face ao ano anterior, com João Rui Pereira a pretender manter, no exercício em curso, o crescimento nos dois dígitos. Agarrado ao impacto da ligação a grandes marcas, o empresário acredita que, "em dois ou três anos", a Pafil chegará "aos quatro milhões de euros".

 

Além do colete térmico, a Pafil produz vestuário de neve com identificadores de resgate, casacos com sistemas de aquecimento controlados através de uma app de telemóvel, vestuário de "running" de luxo e equipamentos para bombeiros.

 

Fábrica migra para o vizinho do lado

 

A ultrapassar este ano as três décadas de produção, a Pafil está a preparar a mudança da fábrica-sede de Barcelos para alguns metros ao lado, já em território da vizinha Vila Nova de Famalicão. "Não queríamos ir para longe por causa dos trabalhadores - são quase todos desta área, e muitos deles estão aqui desde o início", ressalva Pereira, mas o poder de atração do concelho mais exportador do Norte tornou-se incontornável.

 

João Rui Pereira justifica a necessidade de novas instalações industriais com o facto de a empresa "ter tido sempre um crescimento ao contrário". Como? "Fizemos um investimento em equipamentos inovadores muito cedo, já temos a tecnologia toda dentro de portas, mas andamos a mudar as máquinas de piso conforme a produção do momento", explica.

 

Com a nova fábrica, que terá o triplo da dimensão da atual e cuja estrutura de ferro já se vê no horizonte, a começar a funcionar até ao final do ano, a Pafil dará então "um passo muito significativo na organização da empresa" - a deslocalização do seu efetivo para a casa nova da empresa.

 

Atualmente com mais de 70 empregados, o crescimento da Pafil Confeções "vai implicar mais pessoas", garante João Rui Pereira, que prevê chegar à centena "a curto/médio prazo", o que não significa contratações até ao final do ano. Primeiro as paredes.

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