AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO




A visita foi relâmpago - apenas 24 horas -, mas a recente missão empresarial da AICEP e do Ministério dos Negócios Estrangeiros ao Cazaquistão abriu as portas de um mercado potencial de 170 milhões de consumidores às empresas portuguesas de vários setores de atividade.

O desbloqueamento das exportações de carne nacional para a Rússia, conseguido há duas semanas após uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, ao Cazaquistão, já está a surtir efeitos. Em entrevista à "Vida Económica", Carlos Mota, CEO do grupo Montalva, que detém as marcas de carnes Montalva, Izidoro e Damatta, revelou que, fruto da tripla autorização conseguida junto das autoridades russas, da Bielorrússia e do Cazaquistão, já estão "em contactos com potenciais distribuidores para a Rússia". O objetivo, explica o empresário, é "reforçar a internacionalização" da empresa, área que os ajudou a alavancar os 240 milhões de euros de faturação em 2011 e a chegar aos 16 milhões só na vertente exportação.


Entre eles o farmacêutico, o do e-governance, da energia, do ambiente, do vinho e do setor agroalimentar, com as carnes à cabeça.


Exportando atualmente para 25 países e abrangendo perto de 100 clientes, o grupo Montalva e o seu CEO acompanham "com natural preocupação a atual evolução da conjuntura económica em Portugal e as crescentes quebras de consumo", nomeadamente em produtos de maior valor acrescentado. Razão por que vêem na internacionalização, nomeadamente também agora para os mercados do Leste, a solução para inverter este problema.


Nesta entrevista à "Vida Económica", Carlos Mota não hesita em afirmar que "as vendas de produtos de marca para o mercado internacional cresceram significativamente durante o último ano, com destaque para os mercados africano - em especial para Angola - e europeu" e que a estratégia de desenvolvimento do grupo passa pelo "reforço da internacionalização". Foi este, afirma o CEO do ex-grupo MIF, "o caminho que permitiu alcançar exportações de 16 milhões de euros em 2011".


Agregando hoje um conjunto de mais de vinte empresas do agroalimentar, o agora grupo Montalva, com sede no Montijo, abrange as várias fases da cadeia produtiva. Na produção animal, opera com a empresa Intergados, que representa 8% do volume de faturação. Na nutrição animal, está no mercado através das empresas Progado, com fábrica em Gaia, e Din - Desenvolvimento e Inovação Nutricional, que representam, ambas, 21% do volume de negócios. Já nas carnes transformadas, opera com a Izidoro e a Damatta e nas carnes frescas com a marca Montalva. Estas representam 71% do volume de faturação do grupo.


Recentemente, o grupo liderado por Carlos Mota lançou uma nova estratégia de marketing para algumas das suas insígnias nos derivados de carne. "O nosso objetivo é continuar a crescer de forma sustentada através das nossas marcas", explica Carlos Mota à "Vida Económica", revelando ainda que também acabaram de lançar uma gama completa na área das carnes, segmentada em três conceitos: clássico, 'healthy' e 'explore' e que "estão a ter uma muito boa aceitação por parte dos consumidores".


"Atento a novas oportunidades de parceria e expansão internacional", tanto nos mercados onde já opera, como em novas geografias, o CEO do grupo Montalva assume que a possibilidade de poder exportar para outros países "é sempre vantajosa para o grupo". Angola é, aliás, também disso um exemplo, assumindo-se como "o mercado mais importante para nós", explica Carlos Mota à "Vida Económica".


"Ao longo dos anos temos mantido e reforçado as parcerias que temos com os nossos clientes" em Angola, revela o empresário. Frisa, contudo, que a sua "aposta no passado sempre foi no mercado informal", pelo que "o nosso desafio, neste momento, é introduzir também as nossas marcas no mercado formal". Para tal, contam com "várias parcerias efetuadas já no decorrer de 2012".


Questionado pela "Vida Económica sobre como avalia o setor das carnes e seus derivados em Portugal, o CEO do grupo Montalva diz que "muitas das empresas são de cariz familiar", pelo que "uma possível concentração seria positiva para o setor", pois "há um conjunto de empresas com qualidade e com potencial para se desenvolverem através dos mercados externos".