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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A indústria de mobiliário salientou hoje a urgência de uma moratória aos créditos das PME, com carência mínima de um ano, prevendo que na próxima semana metade do 'cluster' tenha interrompido a laboração devido à pandemia.

"A Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins (APIMA) considera urgente e imperioso o desenvolvimento de uma moratória, aplicada aos créditos já aprovados e/ou em curso por parte das PME [pequenas e médias empresas], com um período de carência mínimo de um ano", afirmou à agência Lusa fonte da direção.

 

Numa nota escrita enviada à Lusa, a associação diz "registar positivamente o anúncio, por parte do ministro das Finanças, Mário Centeno, do desenvolvimento de um decreto-lei com vista à introdução deste regime", mas "apela à urgência na sua oficialização e aplicação".

 

"Neste momento existem graves problemas e carências ao nível da cadeia de fornecimentos, em particular de Itália (como as peles) e de Espanha, bem como na distribuição, fruto da interrupção de atividade de grande parte dos clientes europeus e dos condicionamentos ao nível do transporte transnacional", sustenta.

 

"Em consequência -- acrescenta -- há várias empresas do 'cluster' que já suspenderam a produção e é expectável que o número cresça ao longo dos próximos dias", apontando as previsões da APIMA "para que, no início da próxima semana, cerca de 50% das empresas tenham interrompido a laboração".

 

Numa reação às novas medidas de apoio às empresas anunciadas hoje pelo executivo, a APIMA "saúda" as opções tomadas e recorda que "tem vindo a articular com as autoridades competentes, incluindo o Governo, a AICEP [Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal] e o IAPMEI [Agência para a Competitividade e Inovação], a adoção de medidas eficazes, céleres e práticas que permitam ao 'cluster' do mobiliário e afins enfrentar e superar os impactos provocados pelo coronavírus".

 

"A flexibilização das obrigações fiscais e contributivas, hoje comunicada, era outra das reivindicações da APIMA junto do Governo, que será essencial na desoneração do tecido empresarial neste período de menor 'cash flow'", refere.

 

Destacando o 'cluster' do mobiliário e afins como "um dos mais relevantes para a economia nacional", a associação diz que é, "também, um dos mais afetados pelo atual cenário, face à forte vocação exportadora, responsável por mais de 90% do volume de negócio das empresas", e alerta para que "a sua sobrevivência é preponderante para preservar a capacidade exportadora do país".

 

O Governo anunciou hoje um conjunto de linhas de crédito para apoio à tesouraria das empresas no montante total de 3.000 milhões de euros, destinadas aos setores mais atingidos pela pandemia Covid-19, com um período de carência até ao final do ano e que podem ser amortizadas em quatro anos.

 

Na indústria, em particular têxtil, vestuário, calçado, indústria extrativa e da fileira da madeira, o ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, anunciou uma linha de 1.300 milhões, sendo 400 milhões de euros destinados a micro e pequenas empresas.

Segundo foi hoje anunciado pelo executivo, as empresas vão ter ainda a acesso a uma moratória, concedida pela banca, no pagamento de capital e juros, e as contribuições para a Segurança Social serão reduzidas a um terço em março, abril e maio, "por forma a preservar o emprego".

 

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, infetou mais de 200 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 8.200 morreram.

 

Das pessoas infetadas, mais de 82.500 recuperaram da doença.

 

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) elevou hoje o número de casos confirmados de infeção para 642, mais 194 do que na terça-feira. O número de mortos no país subiu para dois.

 

Dos casos confirmados, 553 estão a recuperar em casa e 89 estão internados, 20 dos quais em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI).

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