NewDetail

AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A Casa Branca já lançou uma lista dos itens que podem vir a ser taxados como forma de retaliação aos subsídios que a União Europeia concede à Airbus, o que, na ótica de Trump, prejudica indevidamente a rival americana Boeing.

O presidente norte-americano, Donald Trump, avançou a possibilidade de impor tarifas sobre 11 mil milhões de euros de bens importados da Europa, como forma de contestar os subsídios atribuídos pelo bloco à francesa Airbus.

A Airbus é uma fabricante de aeronaves que rivaliza diretamente com a americana Boeing. Para a administração de Trump, que cita conclusões da Organização Mundial do Comércio (OMC), os subsídios concedidos à Airbus têm penalizado a par norte-americana "repetidamente", causando "efeitos adversos nos Estados Unidos".

A lista dos itens que podem vir a ser sujeitos a tarifas já foi publicada, e inclui helicópteros de passageiros, vários queijos e vinhos, fatos de neve e algumas motas.

A administração Trump declarou esta segunda-feira que vai dar início a um processo para identificar os produtos da União Europeia sobre os quais poderão ser aplicadas tarifas adicionais, caso a Europa não recue nos subsídios concedidos à Airbus. 

Este processo foi aberto no âmbito da secção 301 da Lei de Comércio de 1974, a qual permite ao representante comercial dos Estados Unidos investigar matérias do foro comercial e, com a orientação do presidente, responder às práticas comerciais desleais de outros países. Este foi o mesmo quadro legal utilizado para justificar ações semelhantes contra a China.

O representante do comércio norte-americano, Robert Lighthizer, declarou na segunda-feira que os Estados Unidos haviam perdido a paciência com aquele que é um dos casos mais antigos que está pendente na OMC, referindo-se à queixa relativamente aos subsídios concedidos à Airbus.

"Este caso está em litígio há 14 anos, e chegou o momento de atuar", comentou Lighthizer. "O nosso objetivo último é chegar a um acordo com a UE para acabar com todos os subsídios inconsistentes com a OMC à aviação civil" e "quando a Europa terminar com estes subsídios prejudiciais, as tarifas adicionais impostas podem ser retiradas", explicou, ainda, o mesmo representante.

A Casa Branca ressalva, contudo, que só pretende avançar com as referidas tarifas no final deste verão e após a aprovação da Organização Mundial do Comércio.

 

A ameaça de novas tarifas surge numa altura em que se aproximava o momento de negociar as tarifas industriais com a Europa, colocando pressão sobre futuras conversações. Paralelamente, os Estados Unidos continuam a discutir o futuro comercial com a China, depois da imposição recíproca de tarifas que resultou no abrandamento económico para ambos os países.

Partilhar