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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

As importações portuguesas de calçado chinês mais do que duplicaram nos últimos cinco anos, para um total de 97 milhões de dólares, em 2018, correspondentes a 23,6 mil pares de sapatos.

Os dados são do World Footwear Yearbook 2018, a publicação anual da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS), que, como o nome indica, faz a radiografia do sector a nível mundial. Um negócio que movimentou, em 2018, cerca de 142 mil milhões de dólares em exportações, um novo recorde absoluto. A produção cresceu 2,7% face ao ano anterior para 24,2 mil milhões de pares, qualquer coisa como 3,1 pares por cada habitante da terra.

 

E quase nove em cada dez pares de sapatos foram fabricados na Ásia. A China continua a ser o líder incontestado da indústria, destaca o World Footwear, mas a sua quota de mercado caiu dois pontos percentuais para 55,8%. No top 10 dos maiores produtores só há um europeu: a Itália.

 

Portugal é o 21º maior produtor de calçado do mundo, mas o 19º maior exportador em volume (84 milhões de pares). Em valor, ascende à 13ª posição do ranking mundial, com 2.257 milhões de dólares em 2018. O calçado de couro continua a ser a grande aposta dos industriais nacionais, valendo 69% das exportações, e, por isso, Portugal ascende ao 8º lugar no ranking dos maiores exportadores de calçado de couro do mundo. O plástico e borracha e os materiais têxteis valem 13% e 9% das exportações, respetivamente.

 

E é provavelmente este tipo de produtos que as empresas portuguesas estarão a importar, designadamente da China. Dos 66 milhões de pares de sapatos comprados ao exterior em 2018, pelos quais o país pagou 756 milhões de dólares, 40% foi calçado de tecido e 38% de plástico ou borracha. Não admira, por isso, que o preço médio de importação seja de 11,54 dólares, contra os 26,78 dólares que custa, em média, cada par de sapatos exportado pelas empresas portuguesas.

 

Espanha continua a ser o principal mercado de importação de calçado, com 32% de quota em volume (21,2 milhões de pares) e 36% em valor (275 milhões de dólares), mas em segundo lugar está a China, com uma quota até maior em volume, 36%, correspondente aos 23,6 milhões de pares importados deste país asiático, mas apenas 13% em valor (97 milhões de dólares). Nos últimos cinco anos, as compras à China cresceram 107% correspondentes a um aumento de 50 milhões de dólares.

 

“É muito frequente existirem, por questões logísticas e fiscais, importações de empresas espanholas, com origem na Ásia, que são realizadas através de Portugal. E o inverso também acontece. Por isso as importações nacionais com origem em Espanha têm um preço relativamente baixo para o preço médio de exportação espanhol (20,07 dólares o par). Há calçado com destino a um dos países que passa pelo outro. Os montantes em valor acabam por não ser muito significativos, mas em quantidade são muitas vezes expressivos. Este é um dos fenómenos do qual resulta que já há alguns anos exportamos mais calçado do que o que produzimos (84 milhões de pares exportados em 2018 contra 80 milhões produzidos)”, refere o diretor de comunicação da APICCAPS.

 

Mas Paulo Gonçalves admite, também, que parte deste crescimento nas importações da China tem a ver com a necessidade de complementar a oferta nacional. “A indústria portuguesa é muito forte no segmento de calçado de couro e, em particular, no calçado de inverno, pelo que não será de admirar que algumas empresas procurem complementar a sua oferta de verão, de sandálias e afins, com produtos importados”, refere.

 

Quanto às exportações, nada de novo na tabela dos principais parceiros comerciais, liderados por França, Alemanha, Holanda, Espanha e Reino Unido. Em conjunto, estes cinco mercados asseguram 61,6 milhões de pares e 1.558 milhões de dólares, ou seja, 74% das exportações portuguesas de calçado em volume e 68% em valor. O preço médio de exportação cresceu 0,9% face ao ano anterior e cifrou-se nos 26,78 dólares por par.

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