Na conferência de imprensa de apresentação de resultados, António Mexia anunciou que a administração da EDP vai propor o pagamento de um dividendo de 0,185 euros por ação, uma subida de 8,8% em relação ao ano anterior, e que o novo acionista "vai receber cerca de 144 milhões de euros".
De acordo com o presidente da EDP, o aumento dos dividendos "reflete a capacidade de continuar a crescer e permite dizer que cumprimos aquilo que é a política de dividendo".
Contas feitas, o Estado deverá abdicar de 180 milhões de euros em dividendos da EDP e da REN para os novos acionistas das duas empresas, em que vendeu uma participação pública de 21,35% e 40%, respetivamente, sendo que na quarta-feira o primeiro-ministro rejeitou que os novos acionistas da REN venham a receber dividendos relativos a 2011, uma vez que o negócio de venda não está ainda concretizado.
Questionado pelo líder do BE, Passos Coelho disse no Parlamento que "o contrato de venda da participação que a Parpública detém na REN não está ainda concretizado, razão pela qual, no âmbito desse contrato, não há lugar seguramente a qualquer compensação financeira a quem ainda não detém participação na REN".
Mas, há um mês, a secretária de Estado do Tesouro e Finanças. Maria Luís Albuquerque, afirmou que "se houver distribuição de dividendos entre o momento do primeiro contrato celebrado e o momento final da transação, o valor [dos dividendos] é deduzido ao preço de compra e se forem distribuídos depois [da concretização da alienação] são para quem tem propriedade".
Na apresentação de resultados, António Mexia adiantou que a elétrica está "num processo de revisão do seu ‘business plan'", que está a ser elaborado em parceria com a China Three Gorges, adiantando que o plano estratégico até 2012-15 "será apresentado ao mercado até maio".
De acordo com António Mexia, um retorno de seis por cento sobre os capitais investidos "está em linha com o setor".