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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Os lucros do BPI estiveram praticamente limitados a Portugal no primeiro trimestre. O resultado líquido recuou 77% até Março. Crédito à habitação está em recuo.

Os lucros do BPI afundaram 77%. Angola não entrou para os cálculos no primeiro trimestre e, em Portugal, não houve as mais-valias que abrilhantaram as contas de 2018. Assim, foi com um lucro de 49,2 milhões que o banco controlado pelos espanhóis do CaixaBank fechou o primeiro trimestre de 2019. A quase totalidade do negócio foi obtido em Portugal, cumprindo um desígnio do acionista.

 

O lucro do primeiro trimestre do ano passado tinha sido de 210 milhões de euros, graças sobretudo à venda da Viacer. A atividade nacional rendeu 56% do lucro consolidado. Um ano depois, o resultado líquido foi de 49,2 milhões de euros nos primeiros três meses do ano passado, sendo que 92,5% deste montante, 45,5 milhões, resultam da operação doméstica.

 

E havendo quebra na operação nacional, também se sentiu na actividade internacional. O moçambicano BCI rendeu 3,7 milhões de euros, abaixo dos 5 milhões do período homólogo. Angola só vai contar para os resultados quando o BFA pagar dividendos.

 

“Este foi o primeiro trimestre dos últimos dois anos que não tem aspectos extraordinários, seja por vendas, seja por mudanças contabilísticas, seja por custos extraordinários. É um trimestre normalizado”, declarou o presidente executivo da instituição financeira, Pablo Forero, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados.

 

Abrandamento da procura por crédito à habitação

 

E, no primeiro trimestre nessas condições, os resultados comparam negativamente em muitas rubricas em relação ao trimestre homólogo..

 

O CEO do banco disse aos jornalistas que sentiu, em janeiro e fevereiro, sentiu uma “abrandamento da procura por crédito à habitação”. O crédito hipotecário, o segmento mais relevante no negócio do banco, cedeu 0,5% - também houve recuo no novo crédito hipotecário contratado.

 

Este segmento foi compensado pelo avanço de 0,6% do crédito a empresas. No seu todo, a carteira de crédito total cresceu 0,3% para 23,5 mil milhões de euros. Cerca de mil milhões das exposições do banco são não produtivas (as chamadas NPE, “non-performing exposures”), num rácio que se fixa em 3,3%.

 

Já os recursos de clientes do BPI, que conta com 421 balcões, somaram 1,3% para 33,6 mil milhões de euros, com os depósitos a crescerem 0,7% e os ativos sob gestão (fundos de investimento e seguros de capitalização) ganharam 2,5%.

 

Margem sobe, comissões cedem

 

Tendo em conta que, apesar do desempenho negativo da habitação, a carteira de crédito cresceu, a margem financeira – que representa a diferença entre os juros cobrados em créditos concedidos e os juros pagos em depósitos – conseguiu subir 5,2% para 106,8 milhões.

 

Já as comissões cederam 8% para 60,4 milhões, decorrente das vendas ao CaixaBank dos negócios de cartões e banca de investimento. Sem este impacto, as comissões teriam crescido 3,3%, segundo o banco.

 

Na soma de todas as rubricas de proveitos, o produto bancário recuou 48% para 178 milhões, pela perda das mais-valias nas vendas.

 

No sentido inverso, os custos cresceram para 111,1 milhões, o que reflecte os investimentos do banco na parte digital, segundo Pablo Forero. O BPI empregava 4.821 funcionários em Março, um recuo de 67 profissionais.

 

Houve uma reversão de 1,2 milhões de imparidades constituídas entre janeiro e março, ainda assim, bastante abaixo da recuperação de 11,2 milhões do período homólogo. “O banco é muito conservador quando faz as imparidades”.

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