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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Paulo Martins foi apontado para chefe de operações da canadiana EXMceuticals, a primeira empresa com licença do Infarmed para investigação e desenvolvimento de produtos farmacêuticos à base de canábis em Portugal. Ao JE, o CEO conta que depois da primeira fase de investimentos em Lisboa, segue-se a inauguração da primeira unidade industrial de produção de ingredientes de canabinóides de grau farmacêutico.

A aposta canadiana no “ouro verde” português não mostra sinais de abrandamento. Na verdade, a EXMceunticals já começou a produção de medicamentos à base de canábis em Portugal, mais especificamente na Faculdade de Ciências, depois de ter recebido, em novembro de 2019, uma licença do Infarmed para importar, abrir um laboratório de I&D e refinar canabinoides.

 

Ao Jornal Económico, o chefe de operações em Portugal, nomeado pela empresa canadiana, conta que a aposta em Portugal traduziu-se num investimento de mais de um milhão de euros, só em 2019, para a abertura do escritório na Expo e a área industrial em Setúbal. Para este ano, Paulo Martins anuncia que a EXM tem em fase de estudo e projeto, “o layout para a primeira unidade industrial de produção de ultima geração de ingredientes canabinóides de grau farmacêutico, em conformidade com as boas práticas de fabricação da União Europeia com a mais avançada tecnologia na produção de cannabis farmacêutica, destinada a suprir as necessidades do mercado farmacêutico”.

 

Para além de ter planos para expandir a área de trabalho, a cotada canadiana – que olha para Portugal como “o coração” da empresa – tem aumentado as suas atividades nos projetos de I&D, antecipando a eventual necessidade de criação de postos de trabalho altamente qualificados, nas áreas de pesquisa cientifica, técnica e industrial.

 

Tal como as restantes empresas sediadas em Portugal, para a EXM, Lisboa vai servir como ponto de exportação para a Europa e América do Norte. A única diferença, é que o produto será importado dos sete mil hectares de terra fértil na região equatorial da África e posteriormente trabalhado nos laboratórios da Faculdade de Ciências, em Lisboa.

 

“A EXM detém em vários países os direitos de cultivar, processar e exportar canábis farmacêutico de acordo como as normas regulamentares normalmente exigidas, bem como detém os direitos sobre concessões em terrenos agrícolas licenciados e a licenciar, estimando-se uma área total de 10.000 hectares”, conta Paulo Martins ao JE. ”

 

Os ingredientes de grau farmacêutico refinados e purificados em Portugal, serão maioritariamente exportados como canábis medicinal para grandes empresas farmacêuticas, terapêuticas e cosméticas, principalmente na Europa e América do Norte, explica o CE. “O continente africano, a Europa e a América do Norte, são continentes que fazem parte da estratégia global da EXM e como tal estão interligados, não sendo África um ponto de partida, mas um dos locais onde o plano de negócios de da EXMceuticals se desenvolve paralelamente com Portugal”, finaliza.

 

Garantidas estão já várias parcerias com organizações portuguesas. A empresa tem acordos de colaboração com a Universidade Nova de Lisboa, com a Lusófona e com uma “empresa portuguesa líder no setor dos cosméticos”. Há também parcerias com “empresas portuguesas relevantes no setor da alimentação e bebidas”.

 

O entusiasmo por Portugal é algo bastante palpável na indústria da canábis medicinal e existe por uma razão. Nos últimos anos, várias empresas iniciaram as suas atividades no país para aproveitar os muitos benefícios que oferece em termos de incentivos governamentais, oportunidades de desenvolvimento e inovação.

 

Uma das empresas, a Tilray Portugal, tem certificado de Boas-Práticas de Fabrico, além da autorização para cultivo, importação e exportação na zona de Cantanhede e Reguengos de Monsaraz.

 

As restantes empresas com autorização para cultivo, importação e exportação são a Terra Verde, em Alcochete, a RPK Biopharma, em Sintra e em Aljustrel, a Sabores Púrpura, em Tavira, e a VF 1883 Pharmaceuticals, em Benavente.

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