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Rui Leão Martinho salienta a necessidade de os decisores estarem “atentos e não deixar de antecipar o que for possível em termos de medidas a adoptar e apoios a conceder”.

Rui Leão Martinho, bastonário da Ordem dos Economistas, defende que Portugal deve antecipar as medidas e apoios possíveis para combater a Covid-19 e considera que a consolidação da economia portuguesa retardou reformas e o investimento público, o que se irá refletir num choque “relevante” depois do fim da epidemia.

 

“Devido ao facto da recente consolidação da economia portuguesa ter protelado as necessárias reformas e o investimento público, o choque após a presente situação deverá ser muito relevante”, diz Rui Leão Martinho, em declarações ao Jornal Económico.

 

O economista salienta a necessidade de os decisores estarem “atentos e não deixar de antecipar o que for possível em termos de medidas a adoptar e apoios a conceder”, destacando as linhas de crédito com garantia pública, medidas fiscais já anunciadas. Alerta, no entanto, para a necessidade de “providenciar rapidez nos detalhes, para que esses apoios possam começar a surtir efeito. O montante poderá ser relativamente baixo, face às necessidades que irão aparecer, mas é um início e claro que com toda a probabilidade terá de ser no futuro, aumentado”.

 

“Em Portugal, já se percebe haver a consciência desta situação, quer por parte dos decisores políticos, quer da generalidade da população. O impacto vai ser relevante em todos os sectores, em todas as regiões, quer a nível das empresas, quer ao nível das famílias. Somente com as medidas correctas  da parte do Governo, da União Europeia e do BCE se poderão ajudar capazmente os milhares de micro, pequenas e médias empresas para que, no final, elas ultrapassem na sua esmagadora maioria esta fase e continuem a laborar, a crescer e a dar trabalho a milhares de trabalhadores”, assinala.

 

Rui Leão Martinho espera “que grande parte do impacto económico possa ser capazmente detido, porque bem apoiado e com as medidas adequadas da parte do governo e das entidades europeias, as quais terão de ser tomadas e implementadas no devido momento de serem  consideradas necessárias”.

 

“Neste momento, e diariamente tudo muda, para além dos graves e numerosos impactos ao nível da saúde, já assistimos à maior quebra bolsista de sempre do PSI-20 neste século, a uma guerra petrolífera entre países produtores como a Rússia e a Arábia Saudita, ao encerramento de fronteiras, já se reviu o crescimento mundial para 2,4% e a Comissão Europeia estimou a recessão ao nível de 1%do PIB”, frisa.

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