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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O Haitong Bank, antigo BESI, obteve lucros de 1,2 milhões de euros em 2018. Não conseguia resultados positivos desde a resolução do BES. Depois de vender unidades em Londres e Nova Iorque, o banco vai sair da Irlanda.

A antiga unidade de investimento do Banco Espírito Santo, agora nas mãos de chineses e conhecida como Haitong Bank, chegou aos lucros. É a primeira vez que tal acontece desde a resolução aplicada ao BES, em 2014.

 

O lucro alcançado pelo banco de investimento é, contudo, reduzido: foram 1,2 milhões de euros, segundo revela o relatório e contas publicado na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

 

Este é um montante tímido quando comparado com as perdas acumuladas nos últimos cinco anos, que ascenderam a perto de 400 milhões de euros. O último lucro, em torno de 7,1 milhões de euros, foi atingido em 2013, quando era ainda designado de Banco Espírito Santo Investimento e estava sob o comando de José Maria Ricciardi – que ainda hoje, em entrevista ao jornal Público, critica a falta de poder político de Portugal face às exigências europeias na intervenção ao BES.

 

Para o desempenho do banco cujo presidente executivo é Wu Lin, contribuiu a melhoria do produto bancário (a base de receitas do banco), que melhorou de 69 milhões para 99 milhões de euros, e sobretudo a quebra dos custos operacionais, que afundaram de 126 milhões para 78 milhões. Também as imparidades e provisões – dinheiro reconhecido como perdido – caíram de 79 milhões para 26 milhões.

 

Com o acionista chinês (Haitong Securities), o Haitong Bank, que chegou a resultados positivos um ano antes do previsto, supera o Novo Banco, seu antigo dono, que, controlado pelos americanos da Lone Star, ainda está longe de alcançar lucros. Em 2018, o Novo Banco obteve perdas de 1.413 milhões de euros.

 

NA VENDA DE ATIVOS, IRLANDA É QUEM SE SEGUE

 

Apesar disso, a receita seguida pelo Haitong Bank para chegar aos lucros não é muito diferente da do Novo Banco: venda de ativos e concentração em áreas de negócio específicas. Aliás, 2018 foi o exercício em que concluiu a venda de subsidiárias no Reino Unido e Estados Unidos, que gerou mais-valias de 13,2 milhões de euros. Foi esta a grande razão para o número de funcionários se ter reduzido: 389 trabalhadores no fim do ano, uma redução face aos 462 colaboradores que faziam parte do quadro em 2017.

 

Estas não são as únicas vendas de negócios do Haitong Bank, que tem na sua administração, sem funções executivas, o antigo presidente da Caixa Geral de Depósitos, António Domingues. “Atualmente, o banco está a preparar a venda da sua subsidiária na Irlanda – a Haitong Investment Ireland p.l.c.”, indica o relatório e contas.

 

É esta venda na Irlanda que vai permitir ao Haitong Bank cortar em força no seu crédito malparado. No final do ano, 8,2% da carteira estava em incumprimento, o que representa, apesar de ser ainda um número elevado, uma quebra em relação ao rácio de 37,3% em 2017. Só que esta quebra é justificada, em grande medida, pelo facto de, por estar à venda, a subsidiária irlandesa já não ser tida em conta no cálculo do rácio. Se fosse, o rácio de malparado teria caído, mas estaria ainda nos 21,8%.

 

EXPANSÃO DO BALANÇO

 

O ativo do Haitong Bank – que está em Portugal, mas também em Espanha, Polónia, Brasil e Reino Unido – fixou-se em 2,9 mil milhões de euros, uma diferença significativa face aos 4,2 mil milhões em 2015. Mas, pese embora esta diminuição, o banco quer crescer.

 

“O Haitong Bank tem atualmente uma base de capital sólida, com um rácio CET1 de 22,9% [rácio que mede o peso dos melhores fundos do banco] e um rácio de capital total de 28,9% [indicador que incorpora o rácio CET1 e outros fundos menos exigentes, como dívida subordinada]. A disponibilidade de capital aliada ao fluxo de transações tanto a nível doméstico como na China irão permitir a expansão do balanço e melhorias das receitas recorrentes durante os próximos anos”, continua a instituição.

 

O Haitong Bank merece, neste momento, uma atenção específica do Banco de Portugal, seu supervisor direto. O Jornal Económico noticiou na sexta-feira que a autoridade liderada por Carlos Costa realizou uma inspeção ao modelo de governação do banco, preocupado com a alta rotação de administradores. Desde 2015, o banco já teve três presidentes executivos, e a mudança de administradores também é elevada.

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