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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

“Portugal é um país que sofre de uma doença crónica que é a falta de reconhecimento da geração mais qualificada de sempre.

Em contrapartida, vemos instituições públicas e o próprio aparelho da administração local e central obsoletos, onde a única rotatividade que existe é a de cadeiras (raramente de pessoas). Enquanto Portugal não reconhecer que nós, jovens, qualificados e com ideias, somos o futuro e que, mesmo sem ou com pouca experiência, merecemos uma oportunidade digna e assalariada, não vejo futuro em Portugal”. O testemunho é de Bárbara Godinho de Sousa, uma emigrante natural da Vimieira. Tem 26 anos e é licenciada em Jornalismo pela Universidade de Coimbra. Vive em Wroclaw (Breslávia): frequenta o mestrado em Ciência Política na Wroclaw University e trabalha na multinacional americana DXC Technology. “Aqui sempre me foram dadas oportunidades para aprender e crescer na carreira, sem nunca ter sido colocada em causa a minha idade, a minha formação ou a minha experiência”, reconhece a jovem que reside na Polónia há dois anos e meio.

 

Esta é a terceira vez que Bárbara vive além-fronteiras – “já tinha feito Erasmus na Polónia e um estágio INOV Contacto em Washington DC” – mas a primeira em que se sente verdadeiramente emigrante: “no início de 2017 comprei um voo de ida, sem planos para o regresso. Tinha 24 anos e já alguma ‘bagagem’ sobre as dificuldades, os dissabores, mas também sobre o crescimento pessoal e profissional ao qual somos expostos quando saímos da nossa zona de conforto”. A saudade (“muita”), a língua e “o inverno que nunca mais acaba” foram as maiores dificuldades. Porque já conhecia o país, a adaptação “não foi difícil” e o seu percurso profissional tem-se pautado por “desafios constantes”. Bárbara é agora “Transition Manager” na DXC, “uma das maiores empresas mundiais do setor alimentar”: “trabalho com os mercados de Portugal, Espanha e Itália”.

 

“Faltam pessoas calorosas na Polónia”

Bárbara Sousa gosta “bastante” de viver na Polónia – “um país que admiro pelas oportunidades que consegue proporcionar e que eu própria tive e continuo a ter, assim como tantos outros jovens que vejo à minha volta, alguns deles portugueses e que também se viram a braços com o desemprego”. No entanto, sente a falta da família, das “idas à praia”, do “peixe fresco que aqui é quase inexistente” e das “pessoas calorosas” – “os polacos estão longe de ser os mais acolhedores e calorosos de sempre, ao contrário do que acontece em Portugal, mas, em contrapartida, são bastante atentos às causas sociais”. No inverno, “rigoroso e interminável”, o dia-a-dia é passado “dentro de quatro paredes”. No verão, “assemelha-se muito ao estilo de vida em Portugal (sem idas à praia). Temos uma comunidade de portugueses na cidade suficiente para ir beber uma cerveja depois do trabalho”. Nestes momentos de convívio, “reina a língua portuguesa”.

 

Lá como cá, Bárbara dá valor ao seu país – “digo sempre com muito orgulho que sou portuguesa” – e à sua terra – “a Vimieira tem uma magia inexplicável. Cresci a saber os nomes de todas as pessoas, aprendi que dizer bom dia e boa tarde são regras básicas de boa educação e que, se algum dia faltar o arroz, só preciso de ir tocar à campainha da vizinha. Isto são coisas que, na minha ótica, não têm preço”. Porque “a Polónia não é assim tão longe” e porque tem “a sorte e a flexibilidade de o poder fazer com regularidade”, Bárbara visita a família na Vimieira “várias vezes por ano”: “quando se está fora, voltar a casa ganha um sentido muito especial”. Nos regressos à Polónia, além das saudades, leva sempre bacalhau.

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