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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O projeto prevê 350 camas num condomínio de casas modelares, construídas à volta de um lago, com espaços verdes, restaurantes, bicicletas e salas de estudo. As rendas não ultrapassam os €200.

Vai chamar-se Évora Campus Residence e distingue-se pelo seu tipo de construção: uma residência de casas modelares inspirada nos campus universitários americanos, onde os estudantes poderão beneficiar de vários serviços exclusivos, como se estivessem num condomínio de luxo privado: restaurantes, espaços verdes, bicicletas individuais para cada residente, enfermagem, lavandaria, anfiteatro e segurança 24 horas. Instalado num terreno da universidade, as obras deverão arrancar no mês de abril e ficarão concluídas a tempo do próximo ano letivo.

 

O projeto inclui 114 alojamentos, distribuídos por T0, T1 e T2, e vai permitir albergar 306 estudantes. “Atualmente temos perto de 530 camas disponíveis para ação social. Com esta nova residência, aumentamos muito a nossa capacidade”, diz ao Expresso a reitora da Universidade de Évora, Ana Costa Freitas. “Embora se trate de uma iniciativa privada, o protocolo celebrado com a construtora obriga a que 10% destas camas sejam para alunos beneficiários de ação social.”

 

O caderno de encargos estabelece rendas máximas na ordem dos €200. Um preço acessível tratando-se de apartamentos espaçosos, com sala e casa de banho, inseridos num campus com vários equipamentos a disposição dos alunos. “É um modelo não muito habitual em Portugal. A gestão será feita pela empresa que venceu o concurso.”

Por outro lado, sublinha Ana Costa Freitas, a nova residência terá preços “muito competitivos” relativamente aos praticados no mercado de arrendamento da cidade. “Um quarto em Évora pode chegar aos €400. E há outra questão: nesta residência todos os arrendamentos são com recibo, o que é uma vantagem porque podem ser descontados no IRS, o que nem sempre acontece no mercado imobiliário.”

 

Investimento de €5 milhões

O novo campus será construído pela SkyCity S.A., construtora sediada em Lisboa, e terá um investimento inicial de €5 milhões, sem qualquer encargo para a universidade. Trata-se de um projeto “ambicioso”, que a empresa quer transformar no “paradigma do que deve ser a construção e exploração de residências universitárias em Portugal”. A rapidez de construção (6 meses) explica-se pelo tipo de materiais usados pela SkyCity: casas modelares “com revestimento térmico, acústico, resistentes ao fogo, à água, e com longevidade superior a 30 anos”.

 

Os estudantes têm cada vez mais dificuldade em encontrar um quarto na cidade, pois o turismo fez disparar os preços

“Esta Operação tem uma maturidade de 30 anos de exploração. Os preços são controlados: entre €73,73 (estudantes bolseiros com apoio social), e um preço médio na ordem dos €220.” A empresa, que conta com a colaboração de vários parceiros, todos portugueses, está a dialogar com outras universidades (Bragança, Coimbra, Covilhã, Faro, Lisboa, Porto e Vila Real), para implementar este modelo de residência privada.

 

A história do projeto começou precisamente há um ano, quando Ana Costa Freitas participou no programa da SIC Notícias, “Expresso da Meia-Noite”, para abordar a falta de residências universitárias em Portugal. Na semana seguinte à emissão, o telefone da reitoria não parou: várias empresas estavam interessadas em avançar com projetos. “Queríamos rentabilizar aquele terreno e fizemos um concurso público internacional. A vencedora apresentou um projeto compatível com duas necessidades importantes: o preço e o tempo de construção.”

 

Turistas ‘competem’ com estudantes

Fundada em 1559 — é das mais antigas em Portugal — a Universidade de Évora tem perto de oito mil alunos e dispõe de sete residências universitárias. A percentagem de deslocados é elevada e a cidade tem perdido oferta imobiliária para o turismo. O aumento de estrangeiros na cidade, à imagem do que acontece em quase todo o país, veio agravar as dificuldades dos estudantes na hora de encontrar um quarto.

 

“A habitação está a ser desviada para o sector do Turismo, existindo um défice de resposta para os estudantes a frequentar a Universidade de Évora”, refere fonte da administração da SkyCity ao Expresso.

 

A reitora partilha a opinião: “Era preciso dar uma resposta à falta de residências. Temos uma percentagem grande de alunos deslocados e os preços subiram muito devido ao aumento do turismo. Mas o turismo é também muito importante para Évora, daí a nossa aposta em melhorar e diversificar a oferta. Muitos dos quartos que se arrendam na cidade têm poucas condições, a cidade tem muitas casas envelhecidas.”

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