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CABEÇALHO

Previsões do banco espanhol apontam para queda histórica da economia no segundo trimestre (10,6%), mas antecipam uma rápida recuperação. Economia portuguesa sofre mais do que a espanhola, mas, em 2021, será mais bem-sucedido, acredita o Bankinter.

O espanhol Bankinter está menos pessimista do que o Banco de Portugal em relação à evolução da economia portuguesa na sequência do choque causado pela covid-19. Segundo as previsões lançadas esta terça-feira, 1 de abril, o banco aponta para um cenário central em que a quebra do produto interno bruto é de 2,7% e em que a taxa de desemprego sobe aos 9,5%.

 

Mesmo no cenário mais adverso, as previsões do Bankinter são menos negativas do que as do banco central. O Governo já anunciou que iria apresentar também as suas previsões, mas ainda não foram tornadas públicas.

 

“Embora nesta fase ainda exista um elevado nível de incerteza, é altamente provável que a economia portuguesa entre em recessão em 2020. O nosso cenário base aponta para uma queda de -2,7% do PIB em 2020”, assinala o outlook económico em que a parte relativa a Portugal é da autoria de João Pisco, analista financeiro e de mercados do banco. No final do ano, as previsões apontavam para um crescimento de 1,8% do PIB de Portugal.

 

A revisão em baixa deve-se à propagação da covid-19, que já fez o Banco de Portugal antecipar um cenário base de descida do PIB de 3,7%, apontando ainda para um cenário adverso onde a economia pode resvalar 5,7%. O Bankinter também tem um cenário mais pessimista: aí, caso haja uma paralisação superior a dois meses da economia, o deslize do PIB será de 4%.

 

Mas também é desenhado um mais otimista, em que as medidas de contenção são eficazes e têm efeito a uma rápida velocidade: queda do PIB de 0,8%.

 

As contas do Bankinter no cenário central têm em conta a chamada recuperação em V, ou seja, de um cenário estável da economia que desce até um buraco, de onde se sobe rapidamente. “Assumimos uma contração bastante severa no 2º trimestre, seguida de uma recuperação relativamente célere, que terá início em meados do 3º trimestre e se irá acentuando ao longo do 4º trimestre. Para 2021, prevemos uma recuperação do crescimento do PIB de +3,0%”, antecipa o Bankinter.

 

SEGUNDO TRIMESTRE AFUNDA 10,6%

 

Apesar de prevermos uma queda histórica do PIB no 2º trimestre (-10,6%), fruto das fortes medidas de contenção adotadas, a recuperação posterior do crescimento deverá ser bastante mais célere do que em crises passadas”, indica ainda João Pisco no seu outlook financeiro.

 

A crença do analista do banco espanhol prende-se com a ideia de que a contração, por ser provocada por fator externo à economia (a saúde), será temporária.

 

A nível de componentes, as exportações são aquelas que mais fazem temer o Bankinter (contração de 7,7% este ano e recuperação tímida de 1,7% no próximo ano), devido ao turismo. A compensação vem pelos preços do petróleo, que têm vindo a afundar nos mercados internacionais. No consumo, a queda não será elevada: “estaremos perante um adiamento de decisões de consumo e de investimento, do 2º trimestre para o 2º semestre, e não perante uma quebra estrutural causada por uma diminuição generalizada dos rendimentos”.

 

DESEMPREGO DISPARA PARA QUASE 10%

 

Que a taxa de desemprego vai disparar face aos 6,7% que existiam em dezembro não há dúvida. No cenário central, o Bankinter aponta para uma taxa de 9,5% (acima de 10% no mais adverso), sendo que, mesmo que a paralisação económica seja a mais benigna, a taxa subirá, para 7,8%.

 

“Este aumento expressivo do desemprego em 2020 reflete sobretudo o impacto da pandemia no setor do turismo, que representa, direta e indiretamente, cerca de 20% do total de emprego em Portugal”, explica o Bankinter.

 

O Governo já anunciou que deverá refazer as suas previsões de evolução económica para este ano, tendo em conta todo o choque económico provocado pela pandemia.

 

ESPANHA CAI MENOS, MAS RECUPERA MENOS

 

Em Espanha, onde está sediado o Bankinter, o PIB deverá cair 2% em 2020, mas subirá 2,7% no próximo ano, com uma taxa de desemprego estimada de 16,1% já este ano (o desemprego é tradicionalmente mais elevado no país vizinho), segundo o banco.

 

Na Zona Euro, a evolução não é muito distinta: queda da economia de 3% em 2020, recuperação de 2,2% em 2021. Já o desemprego afetará 9% da população ativa nesta região este ano, segundo o Bankinter.

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