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CABEÇALHO

O estado de emergência levou a que os maiores editores portugueses travassem a saída de novidades e suspendessem a agenda, até a pandemia abrandar. Em média, serão dois meses sem nova atividade.

Muitas editoras estão a suspender a atividade, adiando lançamentos e recalendarizando a publicação de novos livros durante os próximos meses. Esta é uma das consequências diretas da pandemia de coronavírus no universo editorial, que tenta manter-se à tona ao mesmo tempo que se adapta ao estado de emergência decretado a nível nacional.

 

A Bertrand Editora, por exemplo, fez saber através de um comunicado, que todas as chancelas a ela associadas — como Bertrand, Quetzal, Temas e Debates ou Pergaminho — irão suspender a publicação de novos livros no mês de abril. "A Bertrand Editora teve de se adaptar repentinamente a esta nova realidade, o que nos colocou e coloca novos desafios. Os nossos processos estão ainda a ajustar-se a esta realidade transitória", frisou o CEO Paulo Oliveira.

 

Pela sua parte, o Grupo Leya também decidiu travar tanto o lançamento das novidades como as publicações durante abril e maio. "Não vamos deixar de publicar o que estava previsto, simplesmente, face à travagem completa de todos os intervenientes do mercado — quem compra, quem lê e quem revende —, temos de readequar o plano editorial. A ideia é colocar os livros que ficaram suspensos mal for possível, assumindo que em junho tudo poderá voltar à normalidade", diz Pedro Sobral, coordenador das edições gerais da Leya, ao Expresso.

 

Entretanto, o grupo tem vindo a "reforçar a existência de ebooks", disponibilizando-os com desconto na loja online e gratuitos ou a "preços simbólicos" na plataforma Kobo. Outras iniciativas estão na mira: a partir de sexta-feira, às 21h no Instagram da editora, todos os dias os seus autores irão contar às crianças histórias para dormir.

 

A Gradiva reconheceu igualmente ter parado "a produção de novidades para guardar as reservas financeiras que preservámos para o bom tempo". "Se a epidemia abrandar em seis meses ou durar um ano, esperamos poder garantir o vencimento a todos, vital para as famílias que dependem da pequena empresa que somos. Temos a vantagem da Gradiva não ter, nem nunca ter tido, passivo", comenta ao Expresso fonte da editora. No site, "vamos praticar durante este período descontos de 40%" e "continuamos a avançar com o trabalho interno de edição dos livros que estavam programados para 2020, para quando for possível imprimi-los e lançá-los, voltarmos em força às livrarias."

 

Já a editora 20/20, que integra as chancelas Cavalo de Ferro, Elsinore, Fabula e Farol, fez saber que suspendeu a saída de novidades. "Não faria sentido continuar a lançar novidades se, por obrigação legal, muitos dos nossos parceiros foram agora obrigados a fechar, sobretudo os pequenos livreiros", esclarece Joana Freitas, do gabinete de imprensa, sublinhando: "O nosso mote desde que nos lançamos no mercado editorial há 10 anos tem sido o de apoiar ao máximo todos os nossos parceiros e, por isso, não temos vendas online como muitos outros editores."

 

A Penguin Random House, de que fazem parte a Alfaguara, a Companhia das Letras, a Objectiva e a Arena, pela sua parte, admite que suspendeu as publicações até maio, "data que poderá ser reavaliada em função da evolução epidemiológica e da reunião das condições necessárias para a normal difusão e comercialização dos nossos livros", diz Marta Serra, diretora de comunicação, revelando que "a agenda online esteja "bastante preenchida", nomeadamente com lançamentos de livros em direto.

 

"A edição de livros está adiada para uma data ainda incerta. A Feira do Livro de Lisboa, com início previsto para finais de Maio, será também provavelmente adiada", afirma Francisco Vale, editor da Relógio D'Água, acrescentando que "as vendas online de livros impressos, e mesmo de ebooks, só muito parcialmente podem compensar as vendas no circuito livreiro normal". A editora, como tantas outras, entrou em regime de teletrabalho e promete "desenvolver iniciativas, através da página de Facebook, que permitam aos autores manter contacto com os leitores, e estes acompanhar a atividade da editora".

 

Também Paulo Rebelo, da Porto Editora, confirma que os lançamentos agendados para as próximas semanas estão adiados.

 

Porém, "o nosso trabalho editorial continua: as nossas equipas editoriais continuam a trabalhar a 100%, em regime remoto, até porque o nosso plano editorial está bastante preenchido. Ao mesmo tempo, as nossas unidades gráfica e logística, ainda que reorganizadas em equipas rotativas e, por conseguinte, condicionadas, estão a funcionar para assegurar eventuais reimpressões e abastecimento do retalho, sobretudo eletrónico." Ao mesmo tempo, esclarece que o catálogo da editora está disponível em ebook.

 

"O que é claro é que o sector do livro já está a sofrer bastante e é muito preocupante o cenário que se avizinha, sobretudo para os pequenos livreiros e editores. E isto acontece no preciso momento em que, após uma longa década de crise do sector, começava a haver sinais de retoma", conclui.

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