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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O défice comercial da economia portuguesa com a chinesa engordou. As empresas nacionais cada vez importam mais produtos informáticos, eletrónicos e óticos, mas não estão a conseguir sequer segurar o nível das exportações.

Os produtos chineses estão a entrar cada vez mais na economia nacional. As importações de bens da China dispararam 31,8%, entre janeiro e julho deste ano, face ao mesmo período de 2018. Em apenas sete meses, a economia portuguesa já comprou o equivalente a 75% do total que importou da China em todo o ano passado, mostram os dados publicados na segunda-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).


A China tem sido uma aposta estratégica do Executivo de António Costa e os números mostram que a integração entre Portugal e a economia liderada por Xi Jinping vai de vento em popa. Até julho, as empresas portuguesas compraram o equivalente a 1.756,5 milhões de euros em bens da China - ou seja, 15,3% do total de produtos importados do espaço extra comunitário, e 3,7% de todos os bens comprados ao exterior (no ano passado o peso da China foi de 3%).


No trimestre terminado em julho, a China foi o sexto principal fornecedor de Portugal e é o país fora da União Europeia a que as empresas nacionais mais compram É certo que com o consumo interno e o investimento a crescer, as importações estão a subir como um todo, mas o ritmo a que crescem no total é de 8,6%, um registo bastante inferior à subida verificada no caso da China.


Uma análise do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia, publicado em junho deste ano, mostra uma tendência de reforço da China como um dos principais fornecedores de Portugal. Mas também permite concluir que 2019 está a ser um ano extraordinário. No ano passado, as importações da China cresceram 14,6% e em 2017 a subida já tinha sido de 12,7%. Agora mais do que duplicaram o ritmo.


Tecnologia da China
Apesar de os dados do INE não estarem corrigidos do efeito da variação dos preços, este não deverá ser o principal fator explicativo do crescimento observado. Portugal não importa combustíveis à China e os produtos alimentares não são os que têm maior peso na lista de compras - duas categorias de bens com elevada volatilidade nos preços.


Então o que compram os portugueses? As encomendas feitas às empresas chinesas são maioritariamente produtos informáticos, eletrónicos e óticos; equipamento elétrico; máquinas e equipamentos; produtos químicos; e couro e produtos afins. Estes são os cinco principais tipos de bens, mas só os primeiros três, todos associados a uma economia cada vez mais tecnológica, representam mais de 40% do total das compras.


Até julho, a importação de produtos informáticos, eletrónicos e óticos disparou 86%, ou seja, quase duplicou. A compra de equipamento elétrico subiu 10% e a importação de máquinas e equipamentos subiu 27%.


Défice comercial engorda
O problema é que não houve uma subida das exportações de bens para a China - antes pelo contrário. Nos primeiros sete meses do ano, as vendas de bens portugueses para a China caíram 9%, e isto apesar do tal reforço de cooperação e da abertura da economia portuguesa a investimento chinês. Como consequência, o défice comercial com a China aumentou 48,6%, para 1403 milhões de euros, explicando já 11,6% do défice comercial do país com o exterior.


O reporte do INE é insuficiente para relacionar este reforço da China como fornecedor de Portugal com a guerra comercial que decorre entre Pequim e Washington - até porque a economia portuguesa representa um mercado muito pequeno. Mas com Trump a dificultar o acesso da China ao mercado norte-americano, através da imposição de tarifas adicionais à importação dos seus bens, as empresas têm incentivo a procurar mercados alternativos.


Em agosto, as exportações chinesas para os EUA caíram 16%, e em termos globais recuaram 1%, entre janeiro e agosto. O Eurostat ainda só tem dados até junho, mas dá conta de uma subida de 9,5% das compras dos europeus à China, desde o início do ano, face ao primeiro semestre de 2018.

Compras à China disparam

Em apenas sete meses, Portugal comprou 1.757 milhões de euros em bens chineses. Este valor representa 75% do total de 2.350 milhões de euros, comprado em 2018. A subida homóloga até julho foi de 31,8%.

Os principais bens comprados
Estes são os cinco principais tipos de bens comprados à China. Os produtos informáticos, eletrónicos e óticos são os mais importados. Registaram uma subida de 85,7% entre janeiro e julho, face ao mesmo período de 2018.

1.403
DÉFICE
Este é o valor do défice comercial de Portugal com a China em milhões de euros. Subiu 48,6% até julho, em termos homólogos.

86%
TECNOLOGIA
A importação de produtos informáticos, eletrónicos e óticos, o principal tipo de bens comprados à China, disparou até julho.

Importações sobem seis vezes mais que exportações
As exportações de bens em Portugal aumentaram 1,3% em julho (3%, excluindo os combustíveis e lubrificantes), o que representa um ritmo seis vezes inferior ao crescimento verificado nas importações de mercadorias (7,9%) neste mês, anunciou o Instituto Nacional de Estatística.


No destaque à imprensa divulgada esta segunda-feira, 9 de setembro, o organismo liderado por Francisco Lima destaca "o acréscimo de 27,9% nas importações de material de transporte", sobretudo na rubrica referente maioritariamente a aviões, que contribuiu 4,2 pontos percentuais para a taxa de variação homóloga total.


Prosseguindo o desequilíbrio que já se tinha acentuado na primeira metade do ano, como crescimento das importações a triplicar o aumento das exportações, o défice da balança comercial de bens atingiu 1.751 milhões de euros em julho, isto é, mais 452 milhões face ao mesmo mês de 2018.


No campo das exportações, os fornecimentos industriais (3,9%) foram os que mais subiram no mês em análise, embora todas as grandes categorias económicas tenham aumentado as vendas, excetuando os combustíveis e lubrificantes. Em termos de mercados, em valor, França foi o que teve o maior aumento (10,8%) nas compras e também nas vendas (67%) a Portugal, que dispararam 320 milhões de euros, detalhou o organismo oficial de estatísticas.


Dos dez maiores mercados de destino para as mercadorias portuguesas em 2018, em metade foram registados recuos nas transações, em relação a julho do ano passado. Em termos percentuais, Angola teve o mais acentuado (-12,2%), mas os mais penaliza- dores, em euros, foram Espanha (22 milhões), que é o maior mercado externo, o Reino Unido (21 milhões) e a Alemanha (17 milhões).

Há cada vez mais produtos informáticos, eletrónicos e óticos comprados à China. A importação de máquinas e equipamentos também subiu.

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