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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Neste setor, um dos principais problemas é a escassez de mão de obra qualificada e não tanto a falta de equipamento ou tecnologia.

A 4ª Revolução Industrial, impulsionada pelos avanços nas novas tecnologias digitais, conhecidas coletivamente como Indústria 4.0, está a mudar profundamente a dinâmica da maioria das indústrias, e continuará ao longo dos próximos anos.

 

Estas mudanças estão a dar origem a novos modelos de negócio, assim como estão a influenciar a forma como as empresas produzem, processam e gerem as atividades da cadeia de valor. Muito em particular, a automatização dos processos de negócio está a impor não apenas novas tecnologias, mas também novos requisitos para a força de trabalho em termos das suas aptidões e capacidades.

 

A indústria portuguesa de calçado é um exemplo notável de crescimento económico nos últimos anos, com registos de exportações e de criação de postos de trabalho assinaláveis.

 

Nesse sentido, importa analisar como é que esta indústria, caracterizada por ser “jovem, moderna e voltada para o futuro”, e ao mesmo tempo muito dependente do trabalho humano, está a reagir a esta evolução tecnológica.

 

Um estudo exploratório realizado na Católica Porto Business School identificou que, de um modo geral, os gestores deste setor apesar de não estarem, ainda, bem familiarizados com o termo “Indústria 4.0”, estão bem informados da tecnologia existente e da sua evolução, assim como têm uma atitude proativa no que concerne à pesquisa de formas de melhorar o seu negócio.

 

Exemplo disso é a expetativa de alguns industriais de que as tecnologias da Indústria 4.0 venham a reduzir a dependência do trabalho humano. Este estudo revelou, também, que algumas das empresas do setor desenvolveram plataformas digitais para melhorar as relações com os stakeholders. Estes novos serviços proporcionam uma melhor integração e transparência, por poderem ser realizados em tempo real, o que permite uma verificação antecipada de alterações de projeto ou processos, e assim melhorar a capacidade de flexibilização na adoção das alterações necessárias.

 

No entanto, o estudo identifica, também, uma preocupação generalizada no setor sobre a falta de mão de obra qualificada para operar as novas tecnologias e máquinas. Um outro constrangimento, identificado por algumas empresas, prende-se com o facto de o mercado exigir aos produtores maior diversidade de produto e volumes mais pequenos. Esta falta de homogeneidade e a flexibilidade exigida inibe alguns produtores de efectuarem elevados investimentos em novas tecnologias.

O caminho para alcançar a Indústria 4.0 no setor do calçado será, por certo, longo e difícil, mas perante a tendência, que se está a verificar em outros setores, será inevitável. O setor necessita de um estudo de diagnóstico mais profundo, que permita aos seus dirigentes encontrar um suporte para a sua tomada de decisão.

 

No entanto, a introdução destas novas tecnologias irá ter um impacto significativo nos requisitos e exigências em termos da mão de obra, que terão de ser antecipados. A fim de atender a essas novas exigências, as empresas terão de concentrar os seus pontos fortes, não apenas na atração e desenvolvimento de novos talentos, mas também na reciclagem de funcionários atuais por meio de programas de formação e aprendizagem.

 

Por outro lado, considerando a importância estratégica do setor na economia nacional, poderão justificar-se apoios governamentais dirigidos para a formação e treino da força de trabalho.

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