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AICEP
Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

A empresa alemã pretende contratar profissionais no mercado português, não só recém-licenciados mas também programadores com experiência.

O presidente executivo da alemã NFON AG disse, em entrevista à Lusa, que o novo centro de investigação e desenvolvimento será no “centro de Lisboa” e espera ter entre “70 a 100 pessoas” em Portugal dentro de quatro anos.

 

Na quinta-feira, a empresa de comunicações de telefonia da ‘cloud’ anunciou que tinha escolhido Lisboa para instalar o novo centro de investigação e desenvolvimento na Europa, num investimento de dois a três milhões de euros em 2020, prevendo contratar 30 programadores este ano.

 

“A nossa companhia cresce entre 20% e 25% por ano e, com este crescimento, o centro de investigação e desenvolvimento tem de crescer também”, afirmou Hans Szymanski. “Espero que daqui a quatro anos tenhamos entre 70 a 100 pessoas em Portugal”, avançou o presidente executivo da NFON AG, empresa alemã com sede em Munique, nascida em 2007.

“Foi criada como uma ‘startup’ numa garagem”, explicou o gestor, salientando que há dois anos passou a ser cotada na bolsa de Frankfurt. “É uma ‘startup’ adulta”, comentou Hans Szymanski.

 

Questionado sobre onde vai ficar instalado o centro de investigação e desenvolvimento (I&D), o presidente executivo disse que ainda não está decidido. “Penso que vamos ficar no centro de Lisboa, estamos já a falar com empresas imobiliárias, temos quatro a cinco” propostas, mas “ainda não tomamos uma decisão, mas vamos fazê-lo nas próximas semanas”, acrescentou.

 

Questionado sobre as razões que levaram à escolha de Portugal para localizar o centro I&D do grupo, Hans Szymanski referiu que foi feita uma avaliação e Portugal foi o melhor classificado entre os países analisados. “Tivemos a avaliar intensivamente”, afirmou, apontando que, além de Portugal, estavam na corrida a Polónia, a Sérvia e Espanha.

 

“Tivemos a analisar qual seria o melhor sítio para nós, olhámos para quantidade e qualidade dos estudantes e pessoas que trabalham em ‘software'”, as capacidades de falar língua inglesa e as ajudas e suportes com as quais a empresa alemã poderia contar, afirmou. “A AICEP [Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal] ajudou nesta decisão”, acrescentou o responsável.

 

Hans Szymanski explicou que havia uma série de critérios que tinham de ser analisados e no final Portugal “foi o país com ‘score’ [classificação] mais alto”. Uma avaliação semelhante foi feita para a localização geográfica do centro de I&D em Portugal, tendo Lisboa obtido o melhor resultado. O processo de escolha de Portugal levou entre “quatro a seis semanas”, disse.

 

Instado a comentar se o facto de Lisboa apostar num ecossistema digital e ser palco da realização da Web Summit pesou na decisão do grupo alemão, Hans Szymanski admitiu que sim. “Foi decisivo porque não só a Web Summit, mas também Lisboa” está a afirmar-se como “‘tech hub’ [centro tecnológico]”, algo que “se desenvolveu nos últimos anos”, salientou. Trata-se de “um desenvolvimento extraordinário”, acrescentou.

 

Sobre o tipo de profissionais que a empresa pretende contratar no mercado português, o responsável afirmou que não são apenas recém-licenciados. “Queremos não só licenciados como também ‘senior developers’ [programadores com experiência]. Um dos fatores de análise [para a escolha da localização] foi falar com as universidades. Falámos com a Universidade de Lisboa, do Algarve, do Porto, para ter uma ideia da quantidade e qualidade de pessoas que saem” das instituições e “vemos que Portugal está numa boa posição”, considerou.

 

Sobre as expectativas da empresa alemã para o mercado português, disse que “são muito boas”, esperando “contratar colaboradores o mais rápido” possível. “Precisamos deles urgentemente”, sublinhou o gestor, apontando que Markus Krammer, vice-presidente para a área do produto e novos negócios, é o diretor-geral em Portugal.

 

Criada há 13 anos, a NFON AG está presente em 15 países na Europa, com empresas na Alemanha, Áustria, Inglaterra, França, Itália e Espanha. A sua área de negócio assenta em comunicações de telefonia na ‘cloud’, ou seja, substitui a tradicional central telefónica, o que, segundo o presidente executivo, permite poupanças “até 50%” das empresas.

 

“A única coisa que as empresas precisam é o acesso à Internet e com isso têm telefonia como se tivessem uma central telefónica, as empresas poupam imenso dinheiro e têm flexibilidade”, pois com a solução da NFON “só pagam aquilo que usam”, explicou. “Já temos clientes em Portugal, mas não está muito desenvolvido”, disse Hans Szymanski, adiantando que até agora a operação era desenvolvida a partir da empresa em Espanha.

 

“Mas agora, com este passo que vamos dar em Portugal, espero que também dê um empurrão ao desenvolvimento comercial”, disse. O produto principal da NFON é a telefonia da ‘cloud’, mas a empresa está a desenvolver também vídeo, ‘chat’ e partilha de ‘ecrã’, para o qual conta com os programadores.

 

Sobre o advento do 5G (quinta geração), Hans Szymanski considerou que “quanto melhor for a infraestrutura da Internet, melhor é” para o seu negócio. “Somos o único fornecedor pan-europeu da ‘cloud PBX'”, salientou, apontado que empresas como a Telefónica são clientes da NFON AG.

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