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CABEÇALHO

O turismo, a indústria automóvel, o investimento: muitos são os argumentos que, da perspectiva do blog do Financial Times, justificam a saúde "relativa" do mercado de trabalho português.

O turismo, a indústria automóvel, o investimento: muitos são os argumentos que, da perspectiva do blog do Financial Times, justificam a saúde "relativa" do mercado de trabalho português.

 

Portugal está na mira do Financial Times. Esta quarta-feira é assunto no blog da publicação, o Alphaville, e sai bem na fotografia: “a experiência da crise foi um híbrido entre Grécia e Itália. Contudo, hoje, [Portugal] está com um melhor desempenho que ambos”, lê-se no blog (acesso condicionado). E vai mais longe: olhando da perspetiva dos portugueses que estão empregados, “Portugal aproxima-se mais da realidade alemã do que, digamos, Espanha“, escreve a publicação. Da balança comercial ao turismo, o FT explica ponto a ponto o bom momento da economia portuguesa e o “mercado de trabalho relativamente saudável”.

 

“Não há aparentemente uma única razão para Portugal ter sido bem-sucedido enquanto outros [Grécia e Itália] falharam”, mas parte da explicação está no desempenho económico que “superou bastante a procura interna” e levou as receitas das exportações a dispararem. Por outro lado, as importações aumentaram menos, ajudando a equilibrar as contas com o exterior. Em números: a balança comercial líquida melhorou cerca de 20 mil milhões, o equivalente a 10% do PIB.

 

A explicação mais “anedótica”, segundo o blog, é o turismo. “É difícil encontrar alguém que não tenha recentemente passado férias em Portugal”, constata. As exportações dos serviços de transporte e viagens mais do que duplicou desde 2008 — de 6 mil milhões para 14 mil milhões em 2017. Em perspetiva, “um terço da melhoria na balança comercial deve-se ao crescente interesse dos estrangeiros pelas cidades portuguesas”.

 

Contudo, o setor do turismo já tinha um grande peso nas exportações anteriormente, pelo que é só “ligeiramente mais impressionante” que outras exportações. O Alphaville destaca também as vendas da indústria automóvel, que deram um salto de 40% no mesmo período.

 

Para além das exportações e importações, há que olhar à qualidade do investimento, refere o blog. “Se acreditarmos que o Capex (investimento em capital) é o que mais impulsiona a produtividade — e portanto crescimento a longo prazo — em comparação com outras formas de investimento, estas são boas notícias para Portugal”. Desde 2013 que o crescimento tem decorrido sobretudo do setor empresarial não financeiro.

 

Nem tudo são boas notícias

 

O Alphaville aponta, porém, alguns números que pesam negativamente e assinala que “a recuperação portuguesa tem ainda um longo caminho pela frente“.

 

O número de horas de trabalho e de empregos disponíveis entraram em declínio em 2009 e, apesar da recuperação desde 2013, ainda não voltaram aos níveis pré-crise. A “emigração massiva” e o abrandamento na imigração estão intimamente ligados com esta realidade, afirma o Alphaville. Enquanto, de 1998 até 2007, o mercado de trabalho saiu reforçado em 313.000 pessoas, desde 2008 que os números inverteram e conta-se uma perda de 120.000 trabalhadores até 2016. “Isto ajudou na taxa de emprego mas representa uma larga — e provavelmente permanente — perda de capital humano“, alerta a publicação.

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