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CABEÇALHO

A DiVERGE tem seis modelos de sneakers personalizáveis: desde a cor da sola e dos atacadores ao material dos ténis. Todos os produtos são feitos à mão em Portugal.

Os comportamentos dos clientes estão a mudar, os consumidores estão cada vez mais exigentes e o conceito on demand tem ganho importância. “E se cada pessoa pudesse definir, ao mais ínfimo detalhe, o seu par de ténis?“. Este foi o ponto de partida para que quatro profissionais com carreiras consolidadas em grandes empresas abdicassem de tudo para criar o seu próprio negócio. Chegou a DiVERGE, a marca portuguesa de sneakers 100% personalizáveis, feitos à mão e com materiais premium, nacionais e italianos.

 

Com um investimento inicial a rondar os 400 mil euros, a DiVERGE surge “numa perspetiva de valorizar a individualidade e as preferências de cada um e para que os clientes ponham um pouco mais de si naquilo que calçam”, explica João Esteves, um dos quatro cofundadores da marca, ao ECO.

 

A ideia nasceu há cerca de 15 anos, mas só há ano e meio ganhou asas. João e Ricardo Caupers foram colegas de universidade e tinham o desejo de criar um negócio próprio. Apesar da vontade, o plano acabou por ser adiado. Anos mais tarde, juntaram-se Maria Neves e Inês Pinto de Almeida ao projeto. A partir da “vontade de deixar uma marca” e das “experiências complementares” dos quatro amigos em áreas distintas, como o marketing, operações e-commerce, investimentos e design, surgiu a startup portuguesa, conta o cofundador.

 

Com a lógica de “convergir para divergir” e inspirada no poema de Robert Forst, intitulado The Road Not Taken –, recitado no filme O Clube dos Poetas Mortos –, a nova marca permite personalizar cada um dos seis modelos ao mais ínfimo pormenor. Desde a cor da sola e dos atacadores, passando pelo material exterior e interior dos sneakers e acabando na personalização do logótipo da marca, em que o i está incompleto “para que as pessoas o possam completar, numa ótica da personificação do “eu””, refere João Esteves, especialista em marketing.

 

Todo este processo de costumização é feito através do site da marca. Numa primeira fase, os clientes escolhem o modelo e o tamanho que pretendem personalizar, sendo que nesta fase inicial há apenas seis modelos e os tamanhos disponíveis são entre o 36 e o 46. De seguida, cada pessoa tem ao seu dispor o customizador “pronto a brincar”, aponta João Esteves.

 

Nesta etapa e, dependendo do modelo escolhido, os clientes têm alternativas variadas e podem personalizar os sneakers peça a peça, caso optem por partir do zero, ou modificar os modelos consoante as alternativas oferecidas.

 

Um modelo, uma história

Com uma gama crescente de modelos, a oferta vai desde os mais clássicos aos modelos mais inovadores e originais. “O modelo onde temos mais opções de customização é o Ziggy, que tem 11 coisas onde os clientes podem mexer”. Com estas alterações consegue-se “fazer à volta de 24 milhões de sapatos diferentes, mudando elemento a elemento e conjugando os vários elementos“, remata João Esteves.

 

Cada modelo conta uma mini-história e todos os modelos foram integralmente desenhados por Inês Pinto de Almeida, uma das cofundadoras e com um vasto currículo na área da moda e do design. No futuro, a aposta é apresentarem um novo modelo a cada três meses. “A ideia é criar um portefólio de produtos que, por, um lado, trouxesse algo novo em termos de design aos sneakers e, por outro, pegar em clássicos e dar-lhes um upgrade e um twist“, afirma João Esteves.

 

"A indústria da moda é top-down, ou seja, alguém decide o que nós podemos escolher. A DiVERGE quer inverter isso e passar a fazer uma indústria bottom-up, em que as pessoas têm uma palavra a dizer naquilo que vão calçar.”

João Esteves, co-fundador da DiVERGE
 

No que toca aos tipos de pele utilizados no fabrico do calçado, os clientes podem escolher até seis tipos de pele diferentes (camurça, nubuck, pele com grão, pele lisa, pele sintética e pele aborrachada) e cada tipo de pele tem à volta de dez cores disponíveis. Os preços variam entre os 150 euros e os 240 euros.

 

O calçado da DiVERGE é feito com materiais portugueses e italianos de “alta qualidade” e os produtos são feitos à mão e exclusivamente por encomenda. Além do preço dos sneakers, não há nenhum custo adicional. A entrega é feita até duas semanas após o pedido, mas a ideia é, no futuro, tentar agilizar o processo.

 

“Quem aceita divergir connosco?”

Para João Esteves a dificuldade em “encontrar um parceiro fabril que se disponibilizasse a fabricar artigos por encomenda” e não em quantidade foi um dos maiores desafios desde que o projeto arrancou.

 

Lançada há seis meses, a DiVERGE tem tido sucesso no Reino Unido, nomeadamente através da divulgação de notícias ligadas ao setor da moda. Com vendas em todo o mundo, a expansão tem tido especial incidência nos mercados britânico, norte-americano e belga. Agora, a empresa pretende expandir o seu modelo de negócio em Portugal, projeto que tem vindo a ser adiado por considerarem que “os preços estavam altos para o mercado português”. A solução passou por reduzir preços.

 

“O preço mais barato que tínhamos era o Minimal Low e o SLIP-ON a 175 euros, mas agora baixámos para 150 euros e, com isso, achamos que já tornámos o produto um bocadinho mais acessível para o consumidor português“, sublinha João Esteves. Para o futuro pretendem apostar no norte da Europa, Espanha e Portugal.

 

João Esteves adianta ainda que a DiVERGE pretende valorizar “a coragem das pessoas que divergem e que fazem o seu próprio caminho”. Por isso, a marca portuguesa já está a associar-se a algumas instituições de caridade no Reino Unido.

 

Com dois projetos em mãos, a startup portuguesa criou uma campanha limitada em que durante todo o mês de outubro — mês em que se assinala a luta para a prevenção do cancro da mama –, por cada par de sneakers com a cor fúcsia que seja vendido por intermédio da instituição Future Dreams, uma associação que apoia mulheres vítimas deste flagelo, a DiVERGE doa 35% das receitas à fundação. Na prática, esta parceria “ajuda a contar a nossa história, pegando nas histórias de outras pessoas” e, acima de tudo, “ajudar pessoas que tenham divergido”, atira.

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