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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

Álvaro Rengifo é presidente da seguradora CESCE desde outubro. A aposta no digital e a melhoria dos serviços é o drive da companhia que em Espanha gere a conta do Estado nos seguros à exportação.

Qual será o foco da CESCE ao longo dos próximos dois anos para chegar à liderança nas soluções de gestão de crédito comercial?

 

O eixo de atuação da CESCE é definido pelo Plano Estratégico que começou a funcionar em janeiro deste ano, e que se manterá em vigor até 2020. O plano tem três pilares e tem o foco sempre no cliente. O primeiro é a internacionalização. A companhia está em 10 mercados além da Espanha, com subsidiárias em sete e o objetivo é ampliar a presença em outros países para acompanhar empresas espanholas. O segundo desafio é a digitalização para se adaptar às mudanças tecnológicas. Vamos criar uma plataforma para que a maioria dos nossos serviços possam ser adquiridos online. E o terceiro grande objetivo é impulsionar os negócios das pequenas e médias empresas.

 

Dentro do Plano Estratégico 2020 a empresa entrará na nova era da digitalização e do foco no cliente. Como é que este objetivo encaixa com a nova diretiva europeia de Proteção de Dados?

 

A companhia enfrenta um desafio múltiplo, que é ao mesmo tempo uma grande oportunidade. Entrámos num processo de transformação digital em que o cliente não será apenas o centro de nossa atenção e fonte de informação, mas os seus dados estarão sujeitos a tratamento especial, dentro de um novo marco legal que proporciona uma maior proteção e controlo sobre as suas informações.

 

De que forma está a CESCE Seguros a trabalhar o tema do “small data” para criar produtos costumizados?

 

Temos um serviço, a Quantum, para pequenas operações e que é um modelo totalmente digitalizado. Trabalhamos com uma média de 1500 PME e isto é apenas o começo. Vamos fortalecer o processo e criar uma grande plataforma. Na gestão de risco comercial e de crédito, a relação b2b é importante, mas em muitos casos as tarefas diárias podem ser digitalizadas.

Queremos fornecer serviços, não apenas garantindo o crédito ao cliente, mas tornando possíveis as linhas de financiamento, numa espécie de factoring bancário. Além disso queremos aconselhá-lo sobre o tipo de credores que a empresa tem e ajudar na gestão dos riscos. Oferecemos um programa completo de serviços que vai desde o conhecimento dos riscos, a garantia, o financiamento, até às recuperações.

 

A CESCE tem um contrato com o Estado espanhol a nível do seguro de crédito à exportação. O que é que isso significa em termos de países estratégicos de exportação?

 

O financiamento e o aval são elementos-chave para que as empresas possam exportar e investir no exterior. As agências públicas que fazem a gestão da conta do Estado nos respetivos países existem para que as empresas possam aceder a mercados que não são cobertos pelo setor privado. Os nossos países estratégicos são aqueles que as empresas clientes exigem de nós.

 

O que é que a nova realidade de IoT, blockchain e digitalização total de processos vai implicar na CESCE a nível de pessoas, de relações com os clientes e de novos produtos financeiros?

 

A digitalização dos processos é um capítulo em que o setor de seguros de crédito está muito avançado. Não é por acaso que na CESCE gerimos através de sistemas automáticos mais de 90% de nossas decisões de risco e 85% da análise de sinistros. Isso melhora a eficiência e fornece um serviço mais ágil ao cliente. Mas vemos o desafio da digitalização como a reorientação do negócio para que o cliente seja soberano a qualquer instante para decidir sobre os serviços que contrata e o modo como o faz. A tecnologia atual permite adotar soluções desse tipo e a nossa indústria terá que mudar para aceder a todas as empresas que vendem para outras empresas e fornecer o que cada uma exige, e tudo dentro de um ambiente digital. Temos um grande projeto digital em curso que será anunciado em breve.

 

Quais os mercados e os setores mais relevantes cobertos pela CESCE?

 

Por conta do Estado e com dados até novembro, o stock de risco acumulado subiu para os 14.691 milhões de euros, sendo que cinco países absorvem 50% desse risco: Turquia, Cuba, Angola, México e Arábia Saudita. Em termos de risco comercial não público, a maior concentração de risco está, naturalmente, no mercado espanhol. Por ordem de importância os mercados de cobertura comercial do risco são ainda Portugal e França. Em termos de setores o foco está na construção e retalho alimentar.

 

Sobre o mercado português, o que diferencia a CESCE dos concorrentes?

 

A CESCE mantém uma vocação inovadora há anos, o que a levou a oferecer aos seus clientes um produto de cobertura poderoso e de alto desempenho. Há três marcas distintivas que fazem da CESCE Master Ouro o produto mais completo do mercado português. Desde logo o modelo de negócio da CESCE é suportado no cliente ou seja, a seguradora desenvolveu um sistema de gestão, análise e monitorização de riscos que demonstrou a sua capacidade preditiva e a flexibilidade das opções, permitindo a fixação de prémios em função do risco atribuído a cada um dos devedores. É a única empresa no mercado que oferece preços diferentes para garantir clientes diferentes. O segundo ponto diferenciador está no nível máximo de cobertura: os produtos de cobertura que temos podem atingir um máximo de 95%, o nível mais elevado de cobertura do mercado. E, finalmente, o prazo acelerado da indemnização. A companhia oferece a possibilidade aos clientes de serem ressarcidos na totalidade da indemnização num prazo de 60 dias e que é o mais curto do mercado.

 

Está previsto o lançamento de algum novo serviço da CESCE para Portugal ao longo deste ano?

 

Vamos introduzir nos produtos comercializados em Portugal ferramentas que facilitam o adiantamento e a cobrança de faturas seguras, quer através do sistema bancário português, quer através do Financiamento Expresso.

 

O modelo “pay per cover” tem tido adesão do mercado português?

 

Sim, temos registado uma boa aceitação pelo mercado português. Os empresários portugueses procuram cada vez mais soluções de vigilância de risco e cobertura de crédito com flexibilidade. No “Pay Per Cover” não é obrigatório colocar toda a carteira de clientes no seguro, aliás, até podem não segurar qualquer cliente, usufruindo de um serviço de “risk management”. Não têm de pagar qualquer prémio mínimo, pagando apenas o serviço que usufruem. E é com esta flexibilidade no produto que conseguimos chegar a empresas no mercado português que nunca tinham tido acesso a seguro de crédito, e que nos permitiu crescer 15% em número de clientes.

 

Quais os resultados da CESCE Portugal ao nível da morosidade e ao nível do volume de crédito?

 

A morosidade baixou quase 20% relativamente ao ano anterior e o volume de vendas admitidas ao seguro cresceu 28,8%.

 

CESCE na Convenção Anual em Lisboa

O Plano Estratégico 2020 da CESCE tem como objetivo levar a seguradora à liderança na oferta de soluções a nível do crédito comercial à exportação. Lisboa foi a cidade escolhida para reunir em março os quadros para a Convenção Anual de 2018 sob a liderança de Álvaro Rengifo.

As intervenções principais no evento foram da responsabilidade de Rita Lacerda, a diretora geral da CESCE Portugal; de Luís António Ibánez e de Beatriz Reguero, diretores para as Áreas de Contas Próprias e Contas do Estado; de Jesús Urdangaray, diretor para a América Latina; e ainda de Alejandro Gandía, diretor comercial para Espanha e Portugal. O Plano Estratégico 2020 quer potenciar o papel da CESCE como Agência Espanhola de Crédito à Exportação com garantia do Estado, desenvolver um negócio baseado na digitalização e no cliente, para além de alargar

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