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Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal

CABEÇALHO

O impacto negativo da pandemia do novo coronavírus na hotelaria portuguesa pode atingir os 800 milhões de euros e 7,3 milhões de dormidas perdidas entre 1 de Março e 30 de Junho. Este foi um dos cenários desenhados pela AHP que apresentou esta quinta-feira os resultados de um inquérito efectuado junto dos seus associados.

A Associação da Hotelaria de Portugal realizou, entre os dias 3 e 9 de Março, um inquérito aos seus associados de todas as regiões do país que contou com uma amostra de 53%. Com base nas respostas obtidas, a AHP traçou dois cenários plausíveis sobre o impacto que a pandemia de Covid-19 pode ter nas reservas e receitas da hotelaria, sendo que estas foram apenas duas das 12 questões colocadas aos inquiridos.

 

Tanto no que toca às receitas como às dormidas, a AHP traçou dois cenários, um mais positivo, outro menos negativo. Num cenário considerado “mais positivo”, a hotelaria portuguesa registará perdas de 30%, tanto no número de dormidas como nas receitas. Assim, e de acordo com este cenário, a hotelaria perderá 4,4 milhões de dormidas em quatro meses, concretamente entre 1 de Março a 30 de Junho. Já no que toca às receitas na hotelaria, e considerando uma perda de 30%, as receitas perdidas atingirão os 500 milhões de euros.

 

O outro cenário é mais negativo, e tem como estimativa perdas de 50%, em dormidas e receitas. Neste caso, e no mesmo horizonte de 4 meses, serão perdidos 800 milhões de euros em receita directa e 7,3 milhões de dormidas.

 

Segundo Cristina Siza Vieira, CEO da AHP, pela velocidade com que a situação relativa ao Covid-19 se tem alterado “os dados estão a ser actualizados diariamente”. Uma actualização necessária dado que, se há alguns dias o cenário mais plausível era o mais favorável – as perdas de 30% – agora, após desenvolvimentos como a declaração de pandemia por parte da OMT e a decisão dos EUA de suspender, a partir de sexta-feira, as viagens da Europa, o cenário mais negativo começa a tornar-se possível.

 

“O tempo corre a nosso desfavor”, pelo que “quanto mais tempo passar pior é a recuperação”, admitiu Cristina Siza Vieira, sublinhando que, para a hotelaria nacional “os meses de Janeiro e Fevereiro foram muito bons, mas Março caiu a pique”.

 

A CEO da AHP destacou também que, com base nas respostas ao inquérito, “os hoteleiros estão mais confiantes quanto ao comportamento geral do turismo do que quanto ao comportamento do seu hotel em particular”. Este facto, assumiu Cristina Siza Vieira, “prova bem que esta é uma indústria colectiva”.

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