Mesmo hoje, muitas PME apresentam reduzidos volumes de produção, não dominam as técnicas de exportação, são comercialmente pouco agressivas, possuem sistemas de informação deficientes e encontram-se em situação económico financeira comprometedora, na sequência de vários anos de subsídio dependência.
Actualmente, a situação destas empresas, a nível interno, ainda se caracteriza pela descapitalização, pelo desconhecimento de técnicas de gestão, pelo peso excessivo do custo da mão-de-obra e pela persistência de custos de capital elevados.
A nível externo, ainda se verifica, por parte destas PME, uma grande dependência de mercados de exportação tradicionais, o desconhecimento dos mercados/consumidores, o recurso excessivo à subcontratação e a generalizada ausência de práticas de cooperação empresarial.
Todos estes factores prejudicam um bom desempenho a nível exportador, sendo os principais estrangulamentos das PME nacionais e causadores de um progressivo decréscimo da sua competitividade externa, a falta de recursos humanos qualificados e as lacunas detectadas nas competências em gestão/marketing, resultando em estratégias comerciais pouco agressivas e em sistemas de informação sobre os mercados insuficientes e por vezes, pouco credíveis. É usual a inexistência nas PME de quadros técnicos em número ou com formação e experiência em comércio internacional para desenvolver um processo de alargamento geográfico da sua base de negócios.
Se as empresas não estiverem convenientemente apetrechadas com este tipo de conhecimento, o risco envolvido nos processos de exportação cresce exponencialmente, de forma quase proporcional à falibilidade do sistema de informação existente sobre o comportamento recente e prospectivo dos mercados.
Condições Prévias ao Processo de Exportação
Para ganhar este desafio e considerando os factores de competitividade mais importantes (Marketing / Qualidade/ Design / Inovação / Marca / Imagem), as PME deverão reunir um conjunto de condições, designadamente:
- Identificar os factores críticos de sucesso dos negócios (as áreas onde convém ter excelência, pois correspondem às características do produto ou serviço que são mais valorizadas na decisão de compra).
- Deter vantagens competitivas (pontos fortes) face à concorrência, nomeadamente em áreas especializadas ou a servir nichos/segmentos de mercado previamente identificados.
- Desenvolver capacidades de fazer/produzir diferentes, transmitindo valor acrescentado ao cliente e afirmando uma imagem corporativa de excelência.
- Potenciar ao máximo a informação estratégica relevante disponível e fidedigna que permita o conhecimento dos mercados e das oportunidades de negócio neles geradas.
- Recrutar recursos humanos (quadros superiores e intermédios especializados, motivados e com formação em internacionalização), técnicos (sistemas de informação adequados) e financeiros (estrutura de capitais equilibrada) que permitam controlar e sustentar todo este processo.
- Deter capacidades de gestão interactiva e de organização mínimas mas adequadas à maior complexidade dos processos de exportação.
- Criar uma estrutura mínima para as suas actividades de marketing.
- Ter uma actuação prudente, responsável e gradual, com aderência à realidade da empresa.
De uma forma muito sucinta, antes de avançar para um processo de exportação regular e directa, as empresas devem reunir condições de viabilidade estratégica, económica, financeira e técnica que permitam a expansão dos negócios, com sucesso, no exterior.