Um enquadramento externo caracterizado pela interdependência das economias, a liberalização, a globalização dos mercados e a mundialização da concorrência tem obrigado as empresas a desenvolver esforços para a adopção de estratégias activas de internacionalização que assegurem a sua competitividade num mercado alargado e lhes permitam apropriar-se dos ganhos resultantes da progressão na cadeia de valor dos produtos, através do desenvolvimento e controlo das funções de distribuição e comercialização.
A venda de produtos e serviços fora do território geográfico nacional é a forma mais simples e mais frequente, entre várias outras (ex. penetração contratual via concessão, licenciamento, franchising e investimento directo) de desenvolvimento no mercado externo, pressupondo riscos acrescidos por comparação com a actuação no mercado doméstico, por estarem em causa actividades económicas que cruzam as fronteiras internacionais.
Atendendo aos factores de incerteza em causa, é preciso estar atento à complexidade e evolução dos riscos associados ao negócio internacional (financeiro, político, legislativo, fiscal, cambial, etc.). A multiplicidade de países envolvidos neste negócio gera um conjunto de problemas cuja solução exige o recurso a adequadas fontes de informação e a uma previsão da evolução prospectiva de um determinado conjunto de variáveis.
Se vender no exterior, parte ou a totalidade da produção doméstica, representa um risco e exige investimentos prévios maiores ou menores, consoante o grau de compromisso que se pretende assumir com os mercados externos, também as vendas no mercado interno implicam riscos e têm custos de oportunidade perdida, a considerar pelos empresários. Estes, através de processos de exportação adequados podem entrar no mercado internacional, com um mínimo de modificações na sua linha de produtos, pequenos ajustamentos na sua organização empresarial e investimentos perfeitamente comportáveis.
As PME Nacionais e a Exportação
Constata-se que as empresas exportadoras portuguesas ainda vendem no estrangeiro mais como consequência de um processo de crescimento e em resposta a consultas concretas e a pedidos de operadores externos do que em função de uma opção estratégica de internacionalização (em sentido lato). Muitos dos exportadores não efectuam promoção externa e a maior parte utiliza canais de distribuição alheios.
Contudo, neste contexto, e em resposta a pressões da concorrência internacional com impacto no mercado interno e às limitações do próprio mercado doméstico, as empresas exportadoras regulares, rapidamente tomaram consciência dos benefícios sinergéticos decorrentes da necessidade de procedimentos e planeamento integrados e de uma estratégia global para a expansão dos seus negócios.
Vantagens da Exportação
As vantagens da exportação mais comummente salientadas relacionam-se com o acesso a novos mercados:
- Prossecução de objectivos de crescimento e/ou de diversificação geográfica da base de negócios das empresas, alargando, com frequência, o ciclo de vida normal dos produtos e nivelando flutuações sazonais de produção.
- Obtenção de margens comerciais acrescidas, permitindo o alargamento das bases de pesquisa, inovação e desenvolvimento de produto.
- Aproveitamento de vantagens competitivas detidas e/ou exploração de oportunidades de negócio existentes em nichos de mercado estrategicamente escolhidos que sustentam também a competitividade (capacidade concorrencial), a prazo, a nível interno.
- Avanço na cadeia de valor do produto e procura de economias de escala, através da agregação de maior valor aos produtos/serviços fornecidos.
- Acompanhamento da internacionalização dos clientes.
- Necessidade de proteger os seus mercados naturais, fazendo face à concorrência internacional acrescida e de criar massa crítica empresarial que permita os desejados aumentos de produtividade e competitividade.
Barreiras à Exportação
Ao nível dos entraves à exportação, os mesmos agrupam-se em duas grandes categorias:
- Barreiras Tarifárias ou Pautais, de natureza quantitativa e relacionados com direitos aduaneiros e taxas que incidem sobre os produtos importados nos mercados de destino.
- Barreiras Técnicas ou Não Tarifárias, de ordem qualitativa e respeitantes a procedimentos de diversa natureza, designadamente documentação necessária, regulamentação técnica a cumprir, certificados, licenças, inspecções, ou particularidades específicas de um determinado mercado.
As duas maiores barreiras psicológicas à penetração nos mercados via exportação têm relação entre si: as empresas desconhecem as principais matérias envolvidas na actividade exportadora e têm receio dos riscos acrescidos que ela envolve.
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