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Guia do Exportador

 

Gestão de créditos e cobranças

    

Uma "boa" política de Gestão de Créditos e Cobranças passa por adotar, desde o seu início, uma igualmente boa política de gestão e acompanhamento dos clientes das empresas. De facto, para garantir “pagamentos na hora”, evitando correr riscos de cobrança difícil desnecessários, é imprescindível antever e prevenir situações de incumprimento conhecendo, monitorizando e acompanhando adequadamente os clientes e os riscos dos mercados externos.

 

Assim, uma política de gestão de créditos bem sucedida começa no momento em que se prospetam novos clientes.

 

Uma eficaz política de créditos inclui diversas etapas que passam, essencialmente, pela:

·         Formalização dos termos e condições gerais da venda no contrato.

·         Avaliação e segmentação dos clientes, em função do respetivo risco, em termos de não pagamento que representam para a empresa.

·         Definição de limites ou “plafonds” de crédito por cliente.

·         Fixação de processos, regras e procedimentos a seguir internamente em caso de incumprimento do comprador.

·         Determinação de procedimentos rigorosos e claros de faturação que dificultem o aparecimento de eventuais situações de incumprimento.

·         Implementação de um processo "Reminder" (Recordatório), como forma de evitar situações e incumprimento contratual.

·         Adoção de uma estratégia adequada de cobranças e processos a seguir, neste âmbito.

·         Identificação de indicadores de desempenho dos vários processos de gestão de créditos, tendo em vista detetar insuficiências e supri-las, melhorar processos e, de uma forma geral, introduzir os ajustamentos que, em cada momento, se revelem mais oportunos e eficazes.

 

Vantagens da Adoção de uma Política de Crédito Internacional 

Uma política de gestão de crédito internacional bem sucedida tem reflexos a diferentes níveis da atuação e da “performance” empresarial permitindo, designadamente:

·         Melhorar o fluxo de caixa, através de pagamentos mais rápidos.

·         Reduzir o risco de "perdas" de pagamento, mediante a aplicação de medidas preventivas e antecipadas.

·         Minimizar riscos de não pagamento em virtude da seleção e monitorização dos clientes.

·         Concentrar a atuação no "core business" da empresa, recorrendo, quando necessário, aos serviços especializados de terceiros, nomeadamente na cobrança de créditos.

·         Criar e consolidar relações fortes e sustentadas com os clientes, através da definição e aplicação de políticas transparentes.

·         Aumentar as operações com o estrangeiro e diversificar clientes/mercados de exportação, como consequência da limitação do grau de exposição ao risco de não pagamento, resultante da imposição de “plafonds” de crédito aos clientes.

·         Propiciar a realização de investimentos profícuos, contribuindo para a estabilidade financeira da empresa.

Em resumo, uma política de gestão de crédito internacional eficaz tem impacto significativo no crescimento das receitas, na redução dos custos, no controlo das incertezas de pagamento, na prevenção dos riscos acrescidos que a atividade internacional comporta e ainda, na melhoria do "cash-flow" das empresas.

 

Formalização dos Termos e Condições Gerais de Venda no Contrato

Um contrato de compra e venda internacional deve ser pormenorizado, o mais completo possível e muito claro no que concerne, em particular, às condições da compra e da venda; às obrigações do comprador e do vendedor; à forma, "timing" e meio do pagamento acordados, detalhando, assertivamente, as consequências do incumprimento do mesmo, por qualquer uma das partes contratantes (ex. diferimento da execução da prestação, direito de declarar a resolução do contrato antes do momento do cumprimento ou de declarar a resolução nos contratos com prestações sucessivas, solicitação de indemnização por perdas e danos, obrigação de pagamento de juros, exoneração e perda do direito de invocar o incumprimento das obrigações da contraparte, etc.).

                                                                                                        

No âmbito das obrigações do vendedor não deve ser esquecida, entre outros aspetos a salvaguardar, a fixação da entrega das mercadorias no local e prazos convencionados, a remessa dos documentos alusivos à venda e a conformidade das mercadorias, bem como eventuais direitos e pretensões de terceiros, quando aplicável.

 

A alegada violação, ainda que parcial, do contrato pelo vendedor pode ser invocada como justificativa para o não pagamento e quando, na realidade, se verifique confere ao comprador a faculdade de recorrer a diversos meios possíveis para dirimir e sanar a situação (ex. execução específica, fixação de um prazo suplementar para a execução, resolução do contrato, redução do preço, execução parcial, entrega de quantidade superior à inicialmente prevista no contrato, indemnização por perdas e danos, juros de mora, etc.).

 

Em contrapartida, o contrato deve especificar as obrigações do comprador, designadamente as mais relevantes como sejam: o pagamento do preço (calculado nos termos acordados); o prazo de vencimento, lugar, e meio do pagamento; a obrigação de aceitar a entrega das mercadorias em conformidade com o convencionado, etc.

 

Numa situação de violação do contrato pelo comprador, o vendedor também dispõe de diversos meios de reação possíveis, desde a execução específica (quando viável), à fixação de um prazo suplementar para a execução, passando pela resolução do contrato, a cobrança de juros de mora, a indemnização por perdas e danos, etc.

 

As situações de transferência do risco da perda ou deterioração das mercadorias para o comprador têm também que estar acauteladas no contrato que deverá, em qualquer caso, salvaguardar todas as situações de transferência de risco quando o contrato implique um transporte de mercadoria.

 

Também as situações de incumprimento, por ocorrência de casos de força maior impeditivas do integral cumprimento do contrato devem estar consagradas e detalhadas, quanto às suas consequências para as partes e para a própria, eventual, prorrogação, suspensão ou términus do contrato, em função da gravidade das circunstâncias.

 

Em caso de falta de previsão de determinadas situações que depois venham a ocorrer, a integração de lacunas contratuais é normalmente feita considerando a interpretação da conduta das partes, recorrendo aos usos e práticas comerciais relevantes, convenções internacionais, etc.

 

No âmbito das condições de pagamento contratuais, salienta-se a prática, nos países europeus e por defeito, ou seja, na falta de outras disposições acordadas entre as partes, de condições de pagamento, normalmente, a trinta dias. Acresce, o facto de a adoção de prazos de pagamento flexíveis, em função do tipo de cliente, ser um procedimento aconselhado.

 

O meio de pagamento mais frequentemente aceite a nível internacional é o pagamento por transferência bancária, sendo a carta de crédito apenas utilizada em cerca de 10-20% das transações na Europa e nos EUA. Contudo, a carta de crédito, sobretudo quando irrevogável e confirmada, constitui a opção mais segura, em relação a mercados de maior risco.

 

Também o recurso a ferramentas como os seguros de crédito à exportação é uma prática de opção quase obrigatória e muito eficaz, quando a venda se destina a mercados considerados de elevado risco comercial e/ou político em matéria de pagamentos.

 

Normalmente, os contratos de compra e venda e por maioria de razão, os de compra e venda internacional, incluem no seu clausulado dispositivos respeitantes às consequências aplicáveis em situações de incumprimento por atrasos no pagamento ou de não pagamento. Em princípio, essas consequências, como acima se refere, traduzem-se na aplicação, no primeiro caso, de "juros de mora" calculados nos termos estipulados (via de regra, contabilizados desde a data da exigibilidade do pagamento ou do vencimento da prestação até ao dia do seu efetivo e integral cumprimento), bem como na cobrança de "debtor fees" (custos efetivamente suportados com o esforço da cobrança) e, no segundo, de indemnizações pelos prejuízos causados.

 

As partes devem também acordar o regime aplicável à resolução de dúvidas de interpretação, diferendos e conflitos no âmbito da vigência do contrato. O sistema de negociação amigável e de recurso à instância arbitral é muito utilizado, neste contexto.

 

Para além das causas e consequências da rescisão dos contratos por incumprimento de uma das partes, costuma ser benéfica a inclusão nos contratos internacionais de outro tipo de cláusulas do seguinte teor:

 

·         Resolução por Mútuo Acordo – "O presente Contrato poderá ainda ser resolvido por acordo de ambos os Outorgantes, quando os mesmos reconheçam uma alteração superveniente e imprevista de circunstâncias que ponha em causa a finalidade e os objetivos prosseguidos com o mesmo".

·         Resolução de Conflitos ou Litígios – "Para a resolução de todas as questões emergentes da validade, interpretação e execução do presente Contrato, incluindo a dirimência de quaisquer conflitos ou litígios resultantes do seu eventual incumprimento, os Outorgantes comprometem-se a procurar uma resolução por mútuo acordo (negociação amigável) e, quando tal não seja viável, consideram, desde já, como exclusivamente competente para o efeito, o foro da Comarca de X, com expressa renúncia a qualquer outro".
Em alternativa à parte final desta cláusula, as partes podem prever o seguinte "(…) se os Outorgantes não conseguirem resolver o litígio no prazo de X tempo, a contar da data em que um dos Outorgantes o tiver suscitado, o mesmo, será submetido, a seu pedido, a um tribunal arbitral, constituído e funcionando nos termos do Regulamento de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional".

·         Lei Aplicável – "A Lei aplicável à elaboração, entrada em vigor, eficácia, interpretação e execução do presente Contrato é a Lei da República Portuguesa" ou, em alternativa "Quaisquer questões eventualmente emergentes da interpretação ou execução do presente Contrato serão resolvidas por recurso à aplicação da Lei Portuguesa".

·         Vigência do Contrato – "O período de vigência do presente Contrato decorre desde a data da sua assinatura até ao integral cumprimento de todas as obrigações dele emergentes".

A experiência tem comprovado que quando a venda tem como destino a Europa, o recurso à aplicação da legislação local pode ser uma boa solução, sempre que se revele mais favorável ao vendedor.

 

Avaliação e Segmentação de Clientes 

O tratamento diferenciado dos clientes impõe-se neste contexto e tem, naturalmente, reflexos nos limites de crédito a atribuir. Cada cliente é um "cliente" a ser considerado, ponderado e avaliado casuisticamente, na análise prospetiva do respetivo comportamento em matéria de cumprimento integral e atempado dos compromissos contratualmente assumidos e a concessão de crédito deve estar conforme com os resultados dessa avaliação e refletir os diferentes níveis de confiança que inspiram ao vendedor.

 

Assim, estudar, avaliar e segmentar os clientes, em função do seu expectável comportamento, em matéria de pagamento integral das quantias vencidas nos prazos estipulados, corresponde a fazer o "trabalho de casa" e é também, um fator crítico de sucesso na prevenção e salvaguarda de possíveis situações de incumprimento contratual, eventualmente conducentes aos temidos créditos "incobráveis".

 

E quanto mais cuidadoso e detalhado for esse trabalho, com recurso a diversas ferramentas disponíveis e fontes de informação independentes, menor o risco corrido, devendo sempre, considerar-se possível a ocorrência de imponderáveis e situações supervenientes imprevistas que inviabilizem o pagamento e não possam ser imputáveis ao comprador. Esse é o risco inerente ao próprio negócio internacional, muito difícil de antever e prospetivar.

 

Para a avaliação do risco que o cliente representa e a sua segmentação, numa pirâmide cuja base, desejavelmente, corresponda a um elevado nível de confiança e expectativa, inversamente proporcional ao risco de não pagamento, assumem particular relevância fatores como sejam as experiências anteriores de lidar com esse cliente, a sua reputação e idoneidade comercial no mercado, incidentes jurisdicionais com ele relacionados, o seu histórico e situação económico-financeira, o mercado / nacionalidade do comprador, entre outros possíveis.

 

Este processo pode envolver uma estimativa de impacto na situação económico-financeira da empresa, resultante de um eventual incumprimento por parte do cliente, sobretudo se este for muito importante (face ao seu peso na faturação global estimada para um determinado período/mercado), ou se estiver em causa uma grande encomenda (face à pequena dimensão da empresa). Os resultados desse exercício podem demonstrar uma excessiva dependência de um só cliente externo ou de um único mercado de exportação, aumentando, consequentemente e logo à partida, o nível de risco "cliente-país".

 

No âmbito da avaliação de crédito dos potenciais clientes deve verificar-se a solvência de novos clientes, previamente à tomada de decisões sobre condições de entrega de bens ou prestação de serviços. Caso a situação financeira de um potencial cliente seja instável, é mais prudente e recomendável estipular o pagamento antecipado, a solicitação de carta de crédito irrevogável e confirmada e/ou a prestação de garantias bancárias.

 

Por outro lado, na avaliação da concessão de crédito regular em relação a clientes chave da empresa deve tomar-se em consideração que a maioria das "perdas" de pagamento podem advir de onde menos se espera, ou seja, precisamente de entregas feitas a este tipo de cliente. Desta forma, por exemplo, os cerca de 20% de clientes externos responsáveis por cerca de 80% do volume de faturação da empresa, representam, apenas por este facto, um risco acrescido, exigindo uma monitorização e um acompanhamento mais eficaz e apertado, face ao seu impacto determinante, em termos comparativos com outros clientes, na "performance" da empresa, em particular das PME.

 

Neste contexto, deverá ser efetuada uma definição do risco de crédito cruzada, por região geográfica/mercado e por tipo de cliente. Em contrapartida, a segmentação de clientes deverá ser realizada por risco de crédito, envolvendo a adoção de estratégias diferenciadas para cada subgrupo de clientes.

 

É fundamental neste processo atualizar, periodicamente (ex. por semestre), a avaliação e a segmentação de clientes realizada num período anterior.

 

Os critérios de avaliação do risco de não pagamento e da segmentação de clientes variam, existindo também diversas metodologias e ferramentas passíveis de utilização para o efeito, designadamente, no caso de PME mais inexperientes e em fase inicial do seu processo de exportação/expedição, o recurso a serviços especializados de terceiros idóneos, com experiência e uma boa rede de contactos. Assim, a obtenção de Relatórios de Crédito junto de entidades especializadas em fornecer informações sobre a idoneidade comercial das empresas, pode ser uma boa opção, permitindo obter informação de natureza comercial atualizada, credível, independente e fidedigna.

 

Limites de Crédito por Cliente 

Uma boa gestão de créditos passa, necessariamente, pela definição de limites de crédito a efetuar casuisticamente, em função do grau de risco que o cliente e o mercado externo representam para a empresa. Assim, a existência de limites de crédito deve fazer parte integrante de um processo de vendas e constar dos contratos a celebrar com os atuais e futuros compradores.

 

A determinação do limite do crédito tem que se basear em informação jurídica, económica e financeira credível sobre o cliente, suscetível de ser obtida nos Relatórios de Contas das empresas e nos Relatórios de Crédito de uma entidade independente. As informações provenientes do próprio cliente têm, obviamente, um valor limitado e devem ser sempre confirmadas por recurso a outras fontes de informação.

 

A experiência aconselha a introdução de dois limites de crédito para cada cliente, como forma eficaz de redução do risco de não pagamento ou cumprimento defeituoso do contrato (pagamento parcial). Quando o limite inferior fixado é atingido pelo comprador, devem ser tomadas precauções mas, quando o limite superior é ultrapassado, então, o fornecimento deve ser interrompido até as faturas em aberto respeitantes às prestações vencidas serem pagas ou, em alternativa, acordada uma prorrogação do prazo de pagamento com juros ou, ainda, solicitadas garantias adicionais ao cliente.

 

Os "plafonds" de crédito fixados por cliente têm que ser reavaliados numa base regular e de acordo com novas informações que, entretanto, vão sendo obtidas.

 

Processos Internos 

As empresas devem definir o seu próprio ciclo de cobrança, incluindo, nomeadamente, todos os processos e passos a dar em caso de verificação de uma situação de incumprimento do pagamento por parte de um cliente.

 

Nesse contexto, aconselha-se a criação de regras transparentes com indicação de "timings" para cobrança amigável; se, quando e em que circunstâncias recorrer a entidades externas especializadas, etc. Este ciclo é composto por diversos procedimentos a cumprir e deve fazer parte integrante dos processos internos inerentes ao risco corrido, designadamente ao despoletar de uma situação de incumprimento, envolvendo, coordenadamente, a atuação de várias áreas dentro da empresa, com níveis de intervenção e responsabilidade diferentes.

 

Assim, a prevenção de situações indesejáveis recomenda que sejam mantidos em arquivo seguro, cópias ou duplicados de todos os documentos relevantes na operações de venda ao exterior, sejam contratos assinados, encomendas, comprovativos de entrega, faturas, cópias de cartas "recordatórias" (de insistência em caso de incumprimento) ou cópias de promessas de pagamento.

 

As regras e as responsabilidades devem ser muito claras, quer a nível interno dos diversos departamentos envolvidos no processo, quer a nível externo, com os parceiros comerciais na área da gestão de crédito.

 

Com efeito, o comprador deve saber, à partida, as consequências do seu eventual incumprimento em matéria de pagamentos, no que respeita à atuação do vendedor.

Esta estratégia implica uma atividade muito importante de sensibilização e formação, em particular, das equipas de venda para o processo de gestão de créditos e cobranças.

 

A existência de "boa" documentação é verdadeiramente crucial nos casos em que surgem problemas com o pagamento.

 

Faturação e Respetivos Procedimentos 

Este aspeto deve ser expressamente salvaguardado no âmbito do contrato de compra e venda internacional.

 

A faturação correta enviada para o endereço atualizado do comprador é um dos pressupostos chave de uma "boa" cobrança.

 

A fatura comercial, documento base de qualquer transação, deve ser datada, numerada, passada em inglês ou na língua do comprador e remetida pelo vendedor que deverá preencher integralmente os seus campos, mencionando todos os elementos essenciais da venda, designadamente os respetivos nomes (moradas e números de contribuinte do exportador e do importador), a quantidade, o preço unitário, a designação e a descrição detalhada das mercadorias vendidas/serviços prestados, o IVA, o valor e o código pautal aplicável. É fundamental ser clara, compreensível e correta, incluindo os termos do pagamento acordado e a data do vencimento da prestação, os quais, devem estar conformes com os termos e condições gerais constantes do contrato celebrado entre a empresa e o cliente.

 

Para entrega em conta aberta, deverão ser solicitadas as respetivas referências bancárias.

 

Segundo a prática comercial corrente, a fatura é utilizada pelo vendedor, simultaneamente, para liquidar a venda, informar desse facto o comprador e notificá-lo de que deve pagar a importância em causa.

 

As faturas comerciais devem ser enviadas ao comprador imediatamente após a entrega dos produtos ou fornecimento dos serviços e em conformidade com os prazos de vencimento estipulados contratualmente. Um aspeto importante é, de facto, o da conformidade do conteúdo da fatura com outros documentos, designadamente os previstos na carta de crédito.

 

Nos países comunitários a fatura deve indicar os números de registo de IVA do vendedor e do comprador, acrescidos de um prefixo indicando o país em causa.

 

Duplicados das faturas devem ser mantidos em arquivo seguro.

 

Chamamos a atenção para o facto de o envio das faturas para o endereço correto ser crucial no processo de pagamento.

 

Após emissão e envio da fatura e ainda antes de ser vencida, é aconselhável estabelecer um contacto com o cliente para confirmar a boa receção da mesma e que o seu teor corresponde à encomenda de bens ou serviços feita, evitando, à partida e desta forma, os possíveis e mais frequentes argumentos dos "maus" pagadores para justificar o incumprimento do contrato.

 

Após o pagamento é remetido ao comprador um exemplar da fatura com a menção "pago", acompanhada da data e modo de pagamento, servindo como documento de quitação.

 

Processo "Reminder"

O chamado "reminder" é o processo através do qual, o vendedor recorda ao comprador a situação de incumprimento contratual em que este já se encontra, por ainda não ter efetuado o pagamento integral das quantias vencidas e insiste na sua rápida regularização. Com efeito, uma vez vencido o prazo de pagamento contratualizado sem que o cliente pague, a empresa deverá, de imediato, desencadear as diligências necessárias tendo em vista o pagamento voluntário, por parte do comprador, sanando, amigavelmente, este incumprimento.

 

A experiência tem revelado que a melhor prática nesta matéria é a designada "Fórmula 2-2-2" que se traduz no seguinte procedimento:

·         Enviar a primeira carta, o mais tardar, até duas semanas após a data de vencimento.

·         Emitir apenas duas cartas "recordatórias", antes de recorrer aos serviços de uma empresa de gestão de créditos e cobranças, para a recuperação dos valores em dívida.

·         Fazer um intervalo de duas semanas entre as cartas "reminder".

Neste contexto, recomenda-se que as cartas e outras ações de “reminder” sejam emitidas e/ou executadas rapidamente e de forma consistente, durante um período não superior a seis semanas.

 

Estratégia de Cobranças e Processos

O processo de concessão de créditos e cobranças a adotar pelas empresas deve ser coerente e transparente, com reflexos ao nível do contrato a celebrar com eventuais compradores. Os procedimentos devem ser escritos e do conhecimento da força de vendas, dos financeiros, dos jurídicos, etc., bem como dos próprios clientes.

 

Recomenda-se o uso de cartas "reminder", telefone, e-mail, SMS, em linha com as melhores práticas seguidas em cada mercado-alvo. As cartas são muito eficientes nos mercados do norte da Europa, ao contrário de países de outras zonas geográficas.

 

O processo de cobrança tende a ser mais eficaz quando realizado localmente, utilizando as pessoas do próprio mercado pelo conhecimento que têm da respetiva língua, cultura e legislação.

 

Este processo deve ser diferenciado por segmento de cliente e por país. De acordo com o nível de risco que cada cliente representa para a empresa, as cautelas em termos de garantias por exemplo e os esforços de cobrança devem envolver uma maior ou menor vigilância e controlo, por parte do vendedor. Naturalmente, o acompanhamento mais apertado e rigoroso deve ocorrer nos casos de maior risco "cliente-país" de não pagamento.

 

Recomenda-se o desenvolvimento de uma atividade de "benchmarking" e identificação de diferentes ações e metodologias de cobrança utilizados nos mercados, particularmente nos mais importantes para cada PME.

 

O recurso a especialistas em gestão de créditos e cobranças deve ser cuidadosamente ponderado e avaliado em termos do respetivo custo-benefício para novos clientes e mesmo alguns tradicionais.

 

Finalmente, o recurso à via legal para resolução de conflitos, através da contratação de parceiros externos, deve ser considerada, com base em recomendações dadas pelos especialistas de gestão de créditos, quando as soluções amigáveis se revelam infrutíferas. Assim, a cobrança amigável (na fase de pré-contencioso) e a contenciosa (via judicial), devem ser parte integrante do processo "standard" de cobranças de cada PME.

 

Neste contexto, as estratégias de gestão de créditos e cobranças das empresas devem conferir preferência à cobrança extrajudicial e apenas quando esgotados todos os procedimentos previstos para a obtenção de um pagamento voluntário do comprador, se deverá recorrer à via judicial, não compatível com a cobrança de dívidas em tempo útil, face ao problema de fundo da justiça em Portugal (similar à de outros mercados), marcada pela lentidão de processos, elevados custos envolvidos, excesso de burocracia e diversos recursos até ao trânsito em julgado das decisões, o que não permite alcançar soluções céleres para estes problemas.

Comparativamente, em termos de jurisdição e na ausência de entendimento entre as partes, prever nos contratos de compra e venda internacionais que os litígios emergentes da interpretação ou execução dos contratos serão dirimidos pelo recurso às regras de reconciliação e arbitragem da Câmara de Comércio Internacional, pode revelar-se uma forma mais expedita de solução de problemas de pagamentos e recebimentos.

 

Indicadores de Desempenho dos Processos de Gestão de Créditos

Neste âmbito, é fundamental acompanhar os processos de gestão de créditos implementados nas empresas, através de adequados indicadores de “performance” dos mesmos, entre os quais se salientam, o prazo médio de recebimentos, o prazo médio de recebimentos do sector onde a empresa se insere, os atrasos de pagamento, os "incobráveis", etc., procurando comparar padrões de comportamento e potenciar os instrumentos de gestão aplicados.

 

Acresce, o facto de as políticas de crédito não serem estáticas, pelo contrário, são uma realidade dinâmica e como tal, devem ser revistas e atualizadas regularmente (no mínimo, numa base semestral).

 

Vantagens dos Serviços Internacionais da "Intrum Justitia"

A aicep Portugal Global gradece a colaboração do Grupo Intrum Justitia na elaboração desta temática. Trata-se do Grupo Líder Europeu na prestação de Serviços de Gestão e Cobrança de Créditos e a única multinacional com escritórios em 24 países, sendo líder de mercado em 16 deles. Esta entidade disponibiliza uma vasta gama de produtos e serviços “tailor made”, com soluções adaptadas às necessidades específicas de cada empresa.

 

A Intrum Justitia propõe-se praticar às PME que venham a contactá-la via aicep Portugal Global, um preço preferencial (em condições mais vantajosas), em relação ao preçário “standard” em vigor dos seus serviços.

 

Outras vantagens do recurso à Intrum Justitia Portugal, quando necessário, são as seguintes:

·         Um único ponto de contacto no país para a atividade de cobranças internacionais, por parte das empresas.

·         Tratamento local das dívidas das empresas em todos os mercados, para obter a melhor taxa de sucesso possível (gestores de recuperação com o mesmo "background" cultural dos clientes e recurso às melhores práticas em cada mercado utilizando as melhores ferramentas de recuperação de crédito disponíveis).

·         A cobertura de 170 países, dos quais, 24 mercados com escritórios próprios. Outros mercados são cobertos por parceiros selecionados criteriosamente e avaliados numa base anual, segundo os resultados obtidos.

·         Uma equipa de mais de 100 especialistas europeus em exportação, especializados em cobranças internacionais.

·         A garantia de que as leis locais, regulamentação e normas "padrão" são aplicadas de acordo com as exigências de cada caso.

·         A gestão integral de crédito das faturas internacionais das empresas, abrangendo também a fase contenciosa.

·         O acesso ao seu amplo "know-how" sobre pagamentos na Europa e no mundo, através dos seus especialistas e dos relatórios e guias informativos a que têm acesso.

 

 

 
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